Aliados do PL questionam influência de assessor informal na pré-campanha, citando histórico em governo e possíveis impactos na gestão eleitoral.

O senador Flávio Bolsonaro enfrenta pressão interna por conta da atuação de um aliado próximo em sua pré-campanha, gerando preocupação política com possíveis repercussões no cenário eleitoral.
Flávio Bolsonaro enfrenta pressão por aliado em pré-campanha • Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro enfrenta pressão interna por conta da atuação de um aliado próximo em sua pré-campanha, gerando preocupação política com possíveis repercussões no cenário eleitoral.

Nos bastidores do Partido Liberal (PL), aliados do senador Flávio Bolsonaro têm manifestado preocupação com o crescimento da influência de Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”, dentro da estrutura da pré-campanha presidencial.

Interlocutores da sigla apontam que o aliado, apesar de não ocupar cargo oficial, vem exercendo papel estratégico relevante, sendo considerado um dos principais conselheiros do parlamentar. A atuação inclui definição de diretrizes e participação ativa na comunicação política, o que tem ampliado seu peso nas decisões internas.

O ponto central das críticas está relacionado ao histórico de Lopes. Ele atuou durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz, período no qual foi alvo de investigação da Polícia Federal por suposta interceptação ilegal de e-mails. À época, acabou exonerado da estrutura governamental.

Além disso, Lopes é proprietário da agência de publicidade Cálix, que mantém contrato com o Banco de Brasília (BRB), instituição associada a investigações envolvendo fraudes financeiras. Embora o contrato não seja recente, aliados avaliam que a ligação pode trazer impactos negativos à imagem da campanha.

A preocupação interna gira em torno do potencial efeito reputacional. Integrantes do partido consideram que o histórico e as conexões profissionais do aliado podem gerar desgaste político, especialmente em um ambiente eleitoral sensível, onde a imagem pública é fator determinante.

Em resposta, Marcello Lopes afirmou que sua atuação tem caráter exclusivamente colaborativo, baseada em análise de cenário e apoio estratégico. Ele não descartou, no entanto, uma participação formal futura, condicionada ao afastamento de suas atividades empresariais.

O episódio evidencia um cenário de tensão interna e reforça o desafio de controle de narrativa dentro da pré-campanha, elemento considerado crucial para a consolidação de candidaturas em âmbito nacional.