Movimentações financeiras envolvendo o senador ampliam debate político no Congresso e geram novos desdobramentos após operação da Polícia Federal sobre o Banco Master.
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| Ciro Nogueira enfrenta repercussão após compra de triplex milionário • Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado |
O senador Ciro Nogueira voltou ao centro do debate político após a revelação da compra de um triplex de R$ 22 milhões em São Paulo. O caso ganhou repercussão nacional após a Polícia Federal relacionar o parlamentar à chamada “emenda Master”, investigada no contexto da Operação Compliance Zero.
O senador Ciro Nogueira (PP) passou a enfrentar forte repercussão política após a divulgação da compra de uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões em São Paulo. A aquisição ocorreu em julho de 2024, poucas semanas antes da apresentação da chamada “emenda Master” no Congresso Nacional.
O imóvel está localizado na Rua Oscar Freire, uma das áreas mais valorizadas da capital paulista. Segundo informações divulgadas, o apartamento possui 541 metros quadrados, três suítes e três vagas de garagem.
De acordo com investigações da Polícia Federal, a movimentação financeira do parlamentar passou a ser observada no contexto das apurações envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. A corporação aponta que a proposta apresentada por Ciro Nogueira ampliando a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido elaborada com participação da assessoria ligada ao banco.
A proposta apresentada pelo senador modificava a PEC nº 65/2023 e previa a ampliação da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O tema provocou debate entre integrantes do Congresso e do sistema financeiro, especialmente diante da crise de liquidez enfrentada pelo Banco Master.
Segundo a PF, a investigação busca identificar possíveis relações entre vantagens econômicas e atuação parlamentar. A última fase da Operação Compliance Zero incluiu mandados de busca e apreensão envolvendo o nome do senador.
Em nota enviada à imprensa, Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou que o imóvel foi negociado legalmente por meio da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários. O parlamentar declarou que parte do pagamento ocorreu mediante entrega de outro apartamento avaliado em R$ 8 milhões, além de parcelas financeiras previstas em contrato.
As investigações também apontam suspeitas de pagamentos periódicos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme a Polícia Federal, os valores poderiam variar entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais. O senador nega as acusações.
O caso ampliou o debate político em Brasília sobre transparência, relação entre instituições financeiras e atuação parlamentar. Nos bastidores do Congresso, o episódio passou a gerar pressão por maior fiscalização sobre emendas e articulações ligadas ao sistema financeiro nacional.
Na Bahia, o tema também repercute entre lideranças políticas e setores jurídicos, diante da dimensão nacional da investigação e do impacto institucional envolvendo o Senado Federal e órgãos de controle.

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