Plantas oficiais e memorial descritivo da Prefeitura de Jequié contradizem declaração do secretário de Cultura sobre o Mercado Municipal.

Documentos oficiais da Prefeitura de Jequié revelaram a existência de plantas de demolição do Mercado Municipal, contrariando declarações do secretário de Cultura, Domingos Ailton. O caso gerou repercussão política e questionamentos sobre a preservação do patrimônio histórico na Bahia.
Documentos da Prefeitura de Jequié contradizem secretário e revelam plano envolvendo demolição do Mercado Municipal • Foto: Portal BomFm/JRTV Web

Documentos oficiais da Prefeitura de Jequié revelaram a existência de plantas de demolição do Mercado Municipal, contrariando declarações do secretário de Cultura, Domingos Ailton. O caso gerou repercussão política e questionamentos sobre a preservação do patrimônio histórico na Bahia.

A polêmica envolvendo o futuro do Mercado Municipal, em Jequié, ganhou novos desdobramentos após documentos oficiais da Prefeitura Municipal de Jequié contradizerem declarações públicas do secretário de Cultura, Domingos Ailton.

O gestor havia classificado como “fake news” as informações sobre uma possível demolição do espaço histórico. No entanto, documentos obtidos pela imprensa apontam a existência de um projeto administrativo que prevê alterações estruturais significativas no imóvel.

Entre os arquivos apresentados estão quatro plantas oficiais de demolição assinadas em agosto de 2025, além de um memorial descritivo detalhando a retirada de partes da estrutura do prédio. Os documentos fazem parte do processo de requalificação do mercado encaminhado ao Conselho de Cultura.

Segundo informações discutidas em reuniões institucionais, o secretário de Infraestrutura também teria informado que o pavimento superior do mercado deixaria de ter funções culturais e comerciais tradicionais. O local passaria a abrigar setores administrativos ligados à arrecadação e tributos da prefeitura.

A controvérsia aumentou após a divulgação de inconsistências identificadas no decreto municipal relacionado ao processo de destombamento do imóvel histórico.

Entre os principais pontos questionados estão erros na nomenclatura oficial do patrimônio, divergências entre pareceres técnicos e o texto do decreto, além da ausência de previsão de espaços culturais permanentes no novo projeto arquitetônico.

Outro ponto considerado sensível envolve uma aparente contradição interna no próprio decreto. Enquanto um dos artigos proíbe a demolição do imóvel, plantas anexadas ao processo administrativo detalham exatamente a execução da intervenção estrutural.

O Conselho de Políticas Públicas de Cultura de Jequié também emitiu a Nota Técnica nº 01/2026 recomendando que a requalificação fosse realizada com preservação do tombamento histórico. A recomendação, entretanto, não teria sido acolhida pela atual gestão municipal.

Nos bastidores políticos, o caso também ganhou dimensão estadual. O projeto de reformulação do mercado é atribuído ao ex-prefeito Zé Cocá, atualmente apontado como pré-candidato a vice-governador da Bahia, e teria continuidade na administração do prefeito Flávio Santana, sobrinho do ex-gestor.

A situação ampliou o debate sobre preservação do patrimônio histórico, transparência administrativa e gestão cultural em Jequié, mobilizando integrantes do setor cultural, representantes do conselho municipal e parte da sociedade civil.