Brasília – O banqueiro Daniel Vorcaro prepara uma nova proposta de acordo de delação premiada que inclui referências ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao financiamento do filme Dark Horse e a supostas operações investigadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
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| Nova proposta de delação de Daniel Vorcaro cita Flávio Bolsonaro e filme Dark Horse • Foto: AFP/Divulgação |
Nova versão do acordo
A nova proposta de colaboração surge após a rejeição da versão anterior pelas autoridades. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Igor Gadelha, a defesa de Vorcaro pretende apresentar novos elementos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master e movimentações financeiras atualmente sob apuração.
Entre os pontos incluídos está a relação do banqueiro com integrantes do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta também aborda recursos que teriam sido destinados ao projeto cinematográfico Dark Horse, produção associada a aliados do ex-presidente.
Relação com o filme Dark Horse
De acordo com informações divulgadas sobre o conteúdo da nova delação, Vorcaro sustentaria que não houve irregularidades no suposto patrocínio destinado ao filme. A versão apresentada argumentaria que os repasses não envolveram contrapartidas ou favorecimentos.
A narrativa, entretanto, confronta linhas de investigação já desenvolvidas pela Polícia Federal, que apuram a origem de recursos movimentados pelo Banco Master e possíveis conexões com operações envolvendo governos estaduais e estruturas financeiras investigadas.
Áudio envolvendo Flávio Bolsonaro
A inclusão do tema Dark Horse na nova proposta teria ocorrido após a divulgação de um áudio atribuído a conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. No material divulgado, o banqueiro se refere ao senador como "irmão" durante discussões relacionadas a valores que ainda não teriam sido transferidos para o fundo ligado ao projeto audiovisual.
As conversas teriam ocorrido pouco antes da primeira prisão de Vorcaro, registrada em novembro. O episódio passou a integrar o conjunto de fatos analisados pelos investigadores durante a apuração.
Fonte Revista Fórum
Segundo informações divulgadas pela Revista Fórum, a nova estratégia da defesa busca ampliar o escopo da colaboração premiada e apresentar esclarecimentos sobre relações políticas, movimentações financeiras e investimentos atualmente sob investigação.
A publicação afirma ainda que a proposta deverá ser submetida à análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República nos próximos dias.
Promessa de ressarcimento bilionário
Outro ponto que chama atenção na negociação envolve a promessa de ressarcimento aos cofres públicos. Conforme informações divulgadas, Vorcaro teria se comprometido a devolver entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões.
O valor é próximo ao montante utilizado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reembolsar investidores afetados por operações relacionadas ao Banco Master.
Investigadores, porém, avaliam a viabilidade financeira da proposta e questionam a origem dos recursos necessários para cumprir um eventual acordo nesses valores.
Fundos previdenciários sob análise
A proposta também contempla possíveis compensações a fundos públicos de previdência que realizaram investimentos na instituição financeira.
Entre os casos analisados está o do RioPrevidência, que teria aplicado cerca de R$ 3 bilhões. Além do fundo fluminense, órgãos federais identificaram aplicações realizadas por fundos estaduais e municipais em diversas regiões do país.
Levantamentos iniciais apontam investimentos que superam R$ 1 bilhão em entidades previdenciárias localizadas em estados como Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco e Rio de Janeiro.
Investigações seguem em andamento
Na última semana, a Polícia Federal apontou coincidências temporais entre investimentos realizados por fundos públicos e reuniões mantidas por Vorcaro com agentes políticos que também passaram a ser alvo das apurações.
As investigações seguem em andamento e envolvem a análise de documentos, movimentações financeiras e possíveis responsabilidades administrativas e criminais. A nova proposta de delação deverá ser avaliada pelas autoridades competentes antes de qualquer eventual homologação.
Até o momento, não houve manifestação oficial da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República sobre a aceitação da nova versão do acordo.

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