Ex-deputado afirma ter defendido punições individuais ao ministro do STF junto ao governo americano, nega pedido por novas tarifas contra o Brasil e comenta debate envolvendo o Pix.
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| Eduardo Bolsonaro diz ter pedido a Trump retomada de sanções contra Moraes e comenta tarifas dos EUA e debate sobre o Pix • Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados |
A declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sobre uma suposta solicitação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para restabelecer sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltou a movimentar o cenário político brasileiro nesta quarta-feira (3). Durante entrevista ao canal TCM News, Eduardo afirmou ter defendido a retomada das medidas previstas na Lei Magnitsky contra o magistrado e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Segundo o ex-parlamentar, a iniciativa teria como objetivo aplicar punições individuais a pessoas que, em sua avaliação, estariam atuando de forma autoritária. Eduardo ressaltou que a posição foi tomada em caráter pessoal e não necessariamente representa o entendimento de outros integrantes da família Bolsonaro.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do STF, especialmente diante do avanço de investigações e processos envolvendo figuras próximas ao antigo governo.
Sanções pela Lei Magnitsky voltam ao debate
A Lei Magnitsky é um instrumento utilizado pelos Estados Unidos para impor sanções a indivíduos acusados de envolvimento em violações de direitos humanos ou corrupção. No caso citado por Eduardo Bolsonaro, Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes chegaram a ser incluídos na lista de sancionados em julho de 2025, mas foram retirados do mecanismo em dezembro do mesmo ano.
O tema ganhou nova repercussão porque a Primeira Turma do STF marcou para o próximo dia 16 o julgamento de uma ação envolvendo Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado é investigado sob acusação de coação no curso do processo.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado junto a autoridades norte-americanas para defender a adoção de medidas contra ministros do Supremo e contra o próprio Brasil, numa estratégia que buscaria favorecer interesses ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reuniões nos Estados Unidos ampliam repercussão
As declarações surgem dias após uma série de encontros realizados nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo participaram de reuniões com Donald Trump e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Pouco depois dos encontros, o governo americano anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Flávio Bolsonaro admitiu ter defendido a mudança de classificação das facções brasileiras durante conversas com autoridades norte-americanas.
O episódio gerou reações dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanha os possíveis efeitos diplomáticos e jurídicos da decisão americana. Integrantes do Executivo avaliam que a medida pode abrir espaço para discussões sobre eventual atuação internacional em temas relacionados à segurança pública brasileira.
Tarifas, Pix e críticas dos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro também negou que ele ou Flávio Bolsonaro tenham solicitado ao governo americano a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.
O tema ganhou força após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil. Entre as justificativas apresentadas pelos norte-americanos estão decisões envolvendo plataformas digitais, críticas ao sistema Pix e alegações relacionadas ao combate à corrupção e à pirataria.
Segundo Eduardo, houve um pedido para que eventuais medidas comerciais fossem adiadas até o período eleitoral brasileiro. Ele afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir espaço para negociações bilaterais mais amplas entre Brasil e Estados Unidos.
Durante a entrevista, o ex-deputado também saiu em defesa do Pix e afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes de pagamento instantâneo. Como exemplo, citou o Zelle, plataforma privada utilizada por bancos americanos para transferências eletrônicas.
“Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como o Zelle. O Pix dos EUA é o Zelle”, declarou.
Interesses econômicos entram na negociação
Eduardo Bolsonaro afirmou ainda que eventuais negociações entre os dois países poderiam envolver temas estratégicos ligados à exploração de recursos minerais.
Entre os exemplos citados pelo ex-parlamentar estão as reservas brasileiras de terras raras e manganês, consideradas importantes para setores tecnológicos e industriais.
Segundo ele, esses ativos poderiam integrar futuras discussões comerciais com os Estados Unidos como forma de reduzir tensões relacionadas a medidas econômicas ou restrições comerciais.
Próximos desdobramentos
A repercussão das declarações ocorre em um momento de forte polarização política e de intensificação das investigações envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos próximos dias, a atenção deve se concentrar no julgamento marcado pelo STF envolvendo Eduardo Bolsonaro, bem como nas possíveis repercussões diplomáticas das conversas mantidas por integrantes da oposição com autoridades americanas.
Também seguem sendo acompanhadas as discussões sobre eventuais medidas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e os impactos que essas decisões podem ter sobre a relação bilateral entre os dois países.

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