BRASÍLIA — A pouco mais de dois meses do início oficial da campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda trabalham para consolidar alianças e definir palanques nos oito maiores colégios eleitorais do Brasil, responsáveis por mais de 100 milhões de eleitores.
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| Eleições 2026: alianças estaduais seguem indefinidas em estados decisivos • Foto: Reprodução |
Estados concentram maior peso eleitoral do país
São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará representam quase 70% do eleitorado brasileiro. O cenário nesses estados é considerado estratégico para as duas principais campanhas presidenciais.
Enquanto Lula busca resolver pendências em alguns dos maiores colégios eleitorais, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para consolidar apoios em regiões onde o PT mantém forte presença política.
São Paulo
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo permanece como peça central da disputa nacional.
O palanque de Lula deverá ser liderado pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT), que é apontado como principal nome para disputar o governo estadual. Nos bastidores, o grupo petista ainda precisa definir a composição para o Senado e a vice-governadoria.
Do lado de Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) busca a reeleição e deverá liderar o principal palanque da direita no estado. Apesar do apoio público ao senador, Tarcísio tem mantido participação discreta na pré-campanha presidencial.
Minas Gerais
Minas Gerais volta a ser considerado um dos estados mais decisivos da eleição presidencial.
A saída do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco do cenário eleitoral obrigou o grupo de Lula a reorganizar sua estratégia no estado. Diversos nomes passaram a ser avaliados para encabeçar a disputa ao governo mineiro.
No campo conservador, Flávio Bolsonaro também enfrenta desafios. A possível candidatura de Romeu Zema à Presidência e a liderança do senador Cleitinho nas pesquisas para o governo estadual tornam o cenário mineiro um dos mais imprevisíveis da eleição.
Rio de Janeiro
Reduto político da família Bolsonaro, o Rio de Janeiro atravessa um período de reorganização após a desistência do ex-governador Cláudio Castro de disputar o Senado.
A mudança abriu espaço para novas negociações dentro do PL e ampliou a disputa pelas vagas majoritárias.
No campo governista, o cenário está mais consolidado, com o ex-prefeito Eduardo Paes sendo o principal nome ligado ao projeto nacional de Lula no estado.
Bahia
A Bahia aparece como um dos maiores desafios para a campanha de Flávio Bolsonaro.
Apesar da aliança entre PL e União Brasil no estado, o ex-prefeito ACM Neto ainda não formalizou apoio ao senador na disputa presidencial, mantendo margem para articulações políticas.
No campo governista, Lula contará com um palanque inteiramente alinhado ao PT, liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues, que buscará a reeleição. A estratégia inclui ainda as candidaturas de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado.
A força eleitoral petista na Bahia continua sendo considerada uma das principais vantagens do presidente na região Nordeste.
Paraná
O Paraná apresenta um cenário mais definido para os dois grupos políticos.
Flávio Bolsonaro terá como principal aliado o senador Sergio Moro, que lidera pesquisas para o governo estadual. O ex-procurador Deltan Dallagnol surge como um dos nomes para o Senado.
Já Lula aposta no deputado estadual Roberto Requião Filho para liderar seu palanque estadual, enquanto a ex-ministra Gleisi Hoffmann disputa uma vaga no Senado.
A divisão interna da direita entre aliados de Flávio Bolsonaro e do governador Ratinho Júnior pode influenciar o desempenho eleitoral no estado.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as duas campanhas chegam com estruturas já consolidadas.
O palanque de Lula será liderado por Juliana Brizola (PDT), com participação do PT na composição da chapa.
Já Flávio Bolsonaro terá como principal aliado o deputado federal Luciano Zucco, acompanhado por nomes da oposição ao governo federal nas disputas ao Senado.
Pernambuco
Pernambuco concentra uma das estratégias mais complexas da campanha de Lula.
O presidente tenta manter diálogo simultâneo com a governadora Raquel Lyra e com o prefeito do Recife, João Campos, dois dos principais nomes da política estadual.
O objetivo é ampliar o alcance eleitoral entre diferentes setores do eleitorado pernambucano.
No campo da direita, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para estruturar uma candidatura competitiva ao governo estadual.
Ceará
O Ceará apresenta um dos cenários mais favoráveis para Lula entre os grandes colégios eleitorais.
O governador Elmano de Freitas disputará a reeleição, fortalecendo a presença do PT no estado. A aliança inclui ainda importantes lideranças políticas locais para o Senado.
Já o grupo de Flávio Bolsonaro enfrenta divergências internas após o acordo firmado entre o PL cearense e o ex-governador Ciro Gomes, movimento que provocou reações dentro da própria direita.
Cenário segue em construção
Com o início oficial da campanha se aproximando, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro ainda trabalham para consolidar alianças estaduais consideradas fundamentais para ampliar a competitividade eleitoral.
Os próximos meses serão decisivos para definir a configuração dos palanques regionais e o grau de influência das lideranças locais na disputa presidencial de 2026.

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