Brasília – Mais de um mês após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do governo federal e lideranças do PT articulam uma estratégia política para tentar recolocar o nome do advogado-geral da União na disputa por uma vaga na Corte.
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| Após rejeição no Senado, Planalto avalia caminho para nova indicação de Messias ao STF • Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil |
Movimento nos bastidores
A avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que uma eventual nova indicação somente teria chances de sucesso caso seja precedida por uma ampla articulação junto aos senadores.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entendem que a derrota sofrida por Messias foi resultado não apenas da análise sobre o perfil do indicado, mas também de insatisfações políticas acumuladas entre parlamentares e o governo federal.
Reaproximação com o Senado
Entre as alternativas discutidas nos bastidores está uma ofensiva política para reconstruir pontes com lideranças da Casa.
A estratégia incluiria reuniões reservadas, ampliação do diálogo institucional e iniciativas voltadas para fortalecer a interlocução entre o Executivo e o Senado. O objetivo seria reduzir resistências e ampliar o apoio parlamentar antes de qualquer novo movimento relacionado à vaga no Supremo.
Impacto da rejeição
A votação que rejeitou Jorge Messias marcou um episódio raro na história política brasileira. O Senado registrou 42 votos contrários e 34 favoráveis, tornando-se a primeira vez desde 1894 que um indicado ao STF foi barrado pela Casa.
O resultado foi interpretado dentro do governo como uma demonstração de força do Senado e também como um sinal de insatisfação de parte dos parlamentares com a condução política do Planalto.
Avaliação do presidente Lula
Apesar da derrota, o presidente Lula tem mantido confiança no nome do atual chefe da Advocacia-Geral da União.
Segundo interlocutores do governo, o presidente considera que o resultado refletiu circunstâncias políticas específicas e acredita que uma articulação mais ampla poderia alterar o cenário em uma eventual nova votação.
A percepção também é compartilhada por setores do Partido dos Trabalhadores, que continuam defendendo Messias como um dos principais quadros jurídicos da atual administração federal.
Resistências ainda permanecem
Mesmo com a mobilização de aliados do governo, parte dos senadores ainda demonstra cautela em relação à possibilidade de reapresentação do nome.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que qualquer nova tentativa dependerá de um levantamento detalhado dos apoios disponíveis e de negociações prévias com lideranças partidárias.
A preocupação do governo é evitar uma nova derrota que possa ampliar o desgaste político e comprometer futuras indicações para a Suprema Corte.
Próximos passos
A tendência, segundo aliados do Planalto, é que qualquer decisão sobre uma eventual reapresentação da candidatura de Jorge Messias seja tomada apenas após uma rodada de consultas políticas e análise detalhada do cenário no Senado.
O governo busca transformar uma possível nova indicação em uma demonstração de fortalecimento político, reduzindo os riscos de um novo revés institucional.

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