Brasília – O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 42 reações adversas graves identificadas pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação. A medida afeta profissionais da atenção primária e moradores de áreas que participavam da estratégia de imunização.

Governo suspende aplicação de vacina da dengue enquanto apura três casos graves • Foto: Reprodução/YouTube
Primeiras informações
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa em Brasília. Segundo o governo federal, a decisão foi adotada com base em recomendação do Comitê Nacional de Farmacovigilância e seguirá em vigor até a conclusão das investigações sobre os casos registrados.
De acordo com o ministério, aproximadamente 500 mil doses da vacina foram aplicadas desde o início da estratégia nacional. Nesse universo, foram identificados 42 episódios considerados graves, o equivalente a cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses administradas.
Casos sob investigação
Entre os registros analisados pelas autoridades sanitárias, três casos apresentaram evolução clínica mais severa.
O primeiro envolve uma mulher de 39 anos que desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave poucos dias após receber a vacina. Ela precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas apresentou melhora e recebeu alta hospitalar.
O segundo caso refere-se a uma mulher de 48 anos que apresentou quadro de dengue grave associado a comprometimento neurológico caracterizado como meningoencefalite. A paciente não resistiu e morreu.
O terceiro episódio ocorreu com um homem de 58 anos que desenvolveu sintomas febris poucos dias após a vacinação. O quadro evoluiu para dengue grave com choque refratário, resultando em óbito.
O que dizem as autoridades
Durante o anúncio, Padilha afirmou que ainda não existem elementos científicos suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os eventos registrados.
Segundo o ministro, os casos representam um sinal de alerta que justifica a interrupção temporária da aplicação até que sejam concluídas análises mais detalhadas envolvendo histórico clínico dos pacientes, condições de saúde prévias, aplicação das doses e outros fatores que possam ter contribuído para as ocorrências.
O Ministério da Saúde informou que as investigações serão conduzidas em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan.
Nota do Instituto Butantan
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que a interrupção da vacinação ocorre de forma preventiva e atende orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa.
A instituição destacou que os três episódios mais graves ocorreram dentro de um universo de aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas e ressaltou que ainda não há confirmação de vínculo entre os casos e o imunizante.
O Butantan também afirmou que continuará colaborando com as autoridades sanitárias, fornecendo informações técnicas, realizando novos estudos e acompanhando o monitoramento dos vacinados.
Queda nos casos de dengue
A suspensão da vacinação ocorre em um cenário de redução significativa dos indicadores da doença no país.
Dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam queda de 92% nos casos de dengue e redução de 97% nos óbitos quando comparados os cinco primeiros meses de 2026 com o mesmo período de 2024.
Até 30 de maio deste ano, foram registradas 178 mortes pela doença. No mesmo período de 2024, o número chegou a 1.791 óbitos. Em todo o ano de 2025, o país contabilizou 632 mortes relacionadas à dengue.
Segundo o governo federal, os resultados refletem a combinação de ações de vigilância epidemiológica, combate ao mosquito transmissor e ampliação das campanhas de vacinação.
Situação atual
O Ministério da Saúde orienta que pessoas já vacinadas não entrem em pânico e mantenham apenas o acompanhamento recomendado, especialmente durante os 21 dias seguintes à aplicação da dose.
As autoridades reforçam que a suspensão tem caráter preventivo e que a eventual retomada da vacinação dependerá dos resultados das investigações conduzidas pelos órgãos de saúde.
Padilha afirmou que o compromisso do Programa Nacional de Imunizações permanece baseado em evidências científicas, transparência e proteção da população.
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