LIMA (Peru) – As eleições presidenciais realizadas recentemente no Peru e na Colômbia evidenciaram diferenças significativas nos processos eleitorais dos dois países. Enquanto os colombianos conheceram os candidatos classificados para o segundo turno poucas horas após a votação, os peruanos aguardaram mais de cinco semanas pela definição oficial dos finalistas.
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| Diferenças nos sistemas eleitorais explicam contraste entre Peru e Colômbia • Foto: Raul Sifuentes/Getty Images Klebher -- Vasquez/Anadolu via Getty Images |
Primeiras informações
O contraste chamou atenção na América Latina e motivou análises sobre os sistemas eleitorais adotados pelos dois países. Especialistas apontam que fatores institucionais, operacionais e políticos influenciaram diretamente o ritmo da apuração dos votos.
Diferenças no modelo eleitoral
No Peru, as eleições realizadas em 12 de abril envolveram simultaneamente a escolha do presidente, senadores, deputados e representantes do Parlamento Andino. A complexidade do processo aumentou o tempo necessário para a contagem dos votos.
Outro fator relevante foi o número elevado de candidatos à Presidência. O pleito peruano registrou 35 postulantes, enquanto a disputa colombiana contou com 13 concorrentes.
Já na Colômbia, as eleições de 31 de maio foram exclusivamente presidenciais, uma vez que as votações legislativas haviam ocorrido anteriormente. Isso contribuiu para uma apuração mais rápida e simplificada.
Problemas logísticos ampliaram atrasos
Além da complexidade eleitoral, autoridades peruanas registraram dificuldades logísticas durante o processo de votação.
Houve atrasos na entrega de materiais eleitorais e problemas na abertura de centros de votação. Diante da situação, o Jurado Nacional de Eleições decidiu ampliar o horário de funcionamento das seções eleitorais e permitir que algumas fossem instaladas somente no dia seguinte ao pleito.
As medidas excepcionais, somadas a recursos e impugnações apresentados por candidatos e partidos, contribuíram para prolongar o processo de apuração.
Resultado oficial demorou mais de um mês
A Oficina Nacional de Processos Eleitorais concluiu a contagem total dos votos apenas em 15 de maio. Dois dias depois, as autoridades confirmaram oficialmente a classificação de Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, e Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, para o segundo turno.
A nova votação está marcada para este domingo (7), quando os eleitores escolherão o próximo presidente peruano.
Colômbia conheceu finalistas na mesma noite
Na Colômbia, os resultados preliminares divulgados pela Registraduría Nacional permitiram identificar ainda na noite da eleição os dois candidatos classificados para o segundo turno.
Os dados apontaram a passagem de Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda para a etapa decisiva da disputa presidencial, marcada para 21 de junho.
Segundo especialistas, a experiência acumulada pelas instituições colombianas em processos eleitorais contribuiu para a rapidez da divulgação dos resultados.
Denúncias de fraude marcaram os dois pleitos
Apesar das diferenças na apuração, Peru e Colômbia apresentaram características semelhantes durante o processo eleitoral.
Nos dois países houve denúncias de supostas irregularidades e fraude eleitoral. No Peru, as alegações partiram do candidato Rafael López Aliaga. Na Colômbia, questionamentos foram feitos pelo presidente Gustavo Petro.
Entretanto, de acordo com especialistas citados nas análises, nenhuma das acusações foi acompanhada de provas que comprovassem as irregularidades apontadas.
Polarização domina cenário político
Analistas também identificam forte polarização nas duas disputas presidenciais.
No Peru, parte do debate político gira em torno da figura de Keiko Fujimori e do legado do ex-presidente Alberto Fujimori. Já na Colômbia, a disputa é influenciada pelas avaliações sobre o governo de Gustavo Petro e a possibilidade de continuidade ou mudança do atual projeto político.
Segundo especialistas, esse ambiente tem impulsionado o chamado "voto de rejeição", fenômeno observado em diferentes processos eleitorais da região.
Impacto para a América Latina
As eleições no Peru e na Colômbia são consideradas estratégicas para o cenário político latino-americano. Os resultados poderão influenciar o equilíbrio político regional e a relação entre governos da América do Sul nos próximos anos.
Com os segundos turnos em andamento, analistas acompanham os desdobramentos das disputas e seus possíveis reflexos sobre a dinâmica política do continente.

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