Natal (RN) – O setor pesqueiro do Rio Grande do Norte voltou a demonstrar preocupação com a possibilidade de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ainda enfrentando os reflexos das restrições comerciais anteriores, empresários avaliam que a medida pode comprometer ainda mais as exportações de pescado fresco para o mercado norte-americano.
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| Empresários do RN acompanham discussão sobre nova taxação dos EUA ao pescado brasileiro • Foto: José Aldenir |
Nova preocupação para o setor
A apreensão aumentou após a sinalização de que os Estados Unidos podem ampliar a cobrança sobre produtos brasileiros. A discussão envolve uma tarifa de 25%, com possibilidade de um acréscimo de 12,5% relacionado a alegações de falhas no combate ao trabalho escravo.
Caso a medida avance, representantes do setor avaliam que o pescado potiguar poderá perder competitividade diante de concorrentes internacionais, afetando especialmente as exportações de atum, meca e pescados costeiros.
Exportações seguem pressionadas
Empresários afirmam que o mercado ainda não se recuperou totalmente dos impactos provocados pelo tarifaço anterior. A incerteza em relação às novas regras comerciais dificulta negociações e reduz a previsibilidade para investimentos e contratos futuros.
Segundo representantes da cadeia produtiva, a preocupação não se limita às empresas exportadoras. O debate também envolve os mecanismos de fiscalização e controle exigidos pelas autoridades americanas.
Impacto alcança milhares de trabalhadores
A possível elevação das tarifas preocupa toda a cadeia da pesca industrial no Estado. O segmento reúne embarcações, fornecedores, frigoríficos, transportadores e comunidades pesqueiras espalhadas por diversas regiões do litoral potiguar.
De acordo com lideranças do setor, centenas de barcos e milhares de pescadores dependem diretamente da atividade. A avaliação é de que cada vaga gerada no mar sustenta diversos postos de trabalho em terra, ampliando os efeitos econômicos de qualquer retração nas exportações.
Perda de espaço ao longo dos anos
Representantes da indústria também destacam que o Rio Grande do Norte perdeu participação no mercado pesqueiro nacional nos últimos anos.
O Estado, que já contou com 11 frigoríficos dedicados ao processamento de lagosta, atualmente possui estrutura bem menor nesse segmento. Além disso, a liderança nacional na produção de camarão e atum foi superada por outros estados, especialmente o Ceará.
Atum potiguar mantém reconhecimento
Apesar das dificuldades, empresários afirmam que o Rio Grande do Norte continua sendo referência na produção de atum destinado à culinária japonesa.
O setor destaca a experiência dos pescadores locais e a qualidade do produto como diferenciais competitivos capazes de manter a presença potiguar em mercados exigentes.
Setor busca articulação institucional
Diante do cenário de indefinição, representantes da pesca pretendem intensificar o diálogo com entidades empresariais para acompanhar as negociações comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos.
A expectativa é buscar apoio institucional e monitorar os próximos passos das autoridades americanas antes de qualquer decisão definitiva sobre a aplicação das tarifas.
Clima ainda é de incerteza
Empresários, consultores e representantes do setor afirmam que ainda não existe clareza sobre qual será o percentual final eventualmente aplicado aos produtos brasileiros.
As discussões envolvem diferentes cenários, com taxas que podem permanecer nos níveis atuais ou alcançar percentuais mais elevados. Enquanto não há definição, o setor mantém atenção redobrada aos desdobramentos da política comercial americana.

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