Petição apresentada ao Supremo sustenta que o senador teria adotado postura semelhante à investigada no caso envolvendo Eduardo Bolsonaro.
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| Deputado do PSOL pede ao STF inclusão de Flávio Bolsonaro em inquérito • Foto: Lula Marques/Agência Brasil |
STF é acionado para incluir Flávio Bolsonaro em investigação sobre tarifaço dos EUA
Brasília – O deputado federal Pastor Henrique Vieira protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o senador Flávio Bolsonaro seja incluído na investigação que apura supostas articulações junto ao governo dos Estados Unidos para exercer pressão econômica e política sobre o Brasil.
A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, e amplia o debate político em torno das relações entre integrantes da oposição brasileira e setores da administração norte-americana ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Argumentação apresentada ao Supremo
Na petição, o parlamentar do PSOL afirma que a conduta atribuída a Flávio Bolsonaro seria “estruturalmente análoga” àquela já analisada no inquérito que envolve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Segundo o documento, haveria indícios de alinhamento político com iniciativas voltadas a pressionar o Estado brasileiro por meio de medidas econômicas adotadas pelos Estados Unidos.
A peça jurídica cita uma manifestação pública feita por Flávio Bolsonaro após o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Na publicação, o senador agradeceu a Trump e mencionou a adoção de sanções inspiradas na chamada Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para punir indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção.
Para o autor da ação, a declaração pode ser interpretada como apoio a uma estratégia de pressão internacional sobre o Brasil.
Publicação nas redes entra na discussão
O pedido ao STF utiliza como um dos fundamentos uma postagem feita pelo senador nas redes sociais em julho do ano passado.
Na avaliação do deputado, a mensagem demonstraria convergência com medidas que poderiam resultar em impactos econômicos para o país. O argumento busca estabelecer conexão entre a manifestação pública e os fatos já analisados pela Corte no inquérito em andamento.
Até o momento, não há decisão do Supremo sobre o pedido de inclusão de Flávio Bolsonaro na investigação.
Carta aos Estados Unidos gera novo debate
No mesmo dia em que o requerimento foi protocolado, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta enviada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
No documento, o senador solicitou a revogação das sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilidade pelo agravamento das tensões que resultaram no novo tarifaço.
A iniciativa ocorreu em meio ao aumento das críticas de setores políticos e econômicos que associam a escalada das medidas comerciais à atuação de lideranças brasileiras junto a autoridades norte-americanas.
Repercussão institucional
O caso reforça uma disputa política que já alcançou o Supremo, o Congresso Nacional e setores da diplomacia brasileira.
Enquanto parlamentares governistas defendem a apuração de eventuais ações que possam ter contribuído para sanções econômicas contra o país, integrantes da oposição argumentam que a crise decorre de divergências políticas e diplomáticas entre Brasília e Washington.
A discussão também ocorre em um momento de intensificação dos movimentos para a eleição presidencial de 2026, cenário em que Flávio Bolsonaro é apontado como um dos possíveis nomes do campo conservador.
Possíveis desdobramentos
A decisão sobre eventual inclusão do senador no inquérito caberá ao ministro Alexandre de Moraes. Caso o pedido avance, a investigação poderá ampliar seu escopo e aprofundar a análise sobre contatos e manifestações de lideranças políticas brasileiras relacionadas às medidas adotadas pelos Estados Unidos.
O episódio mantém Brasília no centro das discussões institucionais envolvendo relações internacionais, disputas políticas internas e os reflexos econômicos das tensões diplomáticas entre os dois países.

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