Declarações sobre influência dos gestores municipais provocam reação em grupo da UPB e ampliam debate sobre articulação política na Bahia.
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| ACM Neto enfrenta reação de prefeitos após fala sobre influência política • Foto: Brenno Carvalho |
Declarações do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, sobre o peso político dos prefeitos na disputa estadual provocaram forte reação entre gestores municipais da Bahia e ampliaram o desgaste dentro de setores ligados à oposição no estado.
O episódio ganhou repercussão após mensagens trocadas no grupo de WhatsApp da União dos Municípios da Bahia (UPB), onde prefeitos demonstraram insatisfação com a fala atribuída ao ex-candidato ao governo estadual. A movimentação gerou desconforto político e abriu um novo foco de tensão entre lideranças municipais e aliados do campo oposicionista baiano.
Prefeitos demonstram insatisfação com declarações
O mal-estar começou após gestores municipais avaliarem que a declaração de ACM Neto minimizou a importância política dos prefeitos no processo eleitoral estadual. Nos diálogos compartilhados entre integrantes da UPB, prefeitos cobraram maior respeito institucional à categoria e defenderam o protagonismo das administrações municipais na construção de alianças eleitorais.
O prefeito de Encruzilhada, Pedro Lacerda, afirmou que tinha “direito de manifestar” sua insatisfação, alegando que a fala envolvia “no coletivo os prefeitos”. A reação rapidamente ganhou apoio de outros gestores presentes no grupo.
Ao longo das conversas, integrantes também passaram a discutir os limites entre manifestações institucionais e conteúdos políticos dentro do espaço da entidade municipalista. Um dos participantes questionou: “Isso aqui não é uma postagem política?”. Outro completou afirmando que “todos os tipos de postagens aqui são políticas”.
O episódio ampliou o debate sobre a relação entre lideranças estaduais e prefeitos da Bahia, especialmente em um momento de reorganização política visando as próximas eleições estaduais.
Sheila Lemos tenta conter crise na UPB
Diante da repercussão, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, tentou reduzir a tensão entre os gestores e pediu que o grupo mantivesse foco institucional.
Na mensagem enviada aos prefeitos, a gestora afirmou que o espaço deveria ser utilizado para assuntos administrativos e pautas comuns aos municípios, evitando conteúdos ligados diretamente a candidatos ou disputas partidárias.
Segundo Sheila Lemos, cada prefeito já possui posicionamentos políticos definidos para cargos como deputado, senador, governador e presidente, o que tornaria improdutiva a divulgação de conteúdos eleitorais dentro do grupo.
A prefeita também alertou que a transformação do espaço em ambiente de disputa partidária poderia comprometer a finalidade institucional da UPB e gerar novos conflitos internos entre os gestores municipais.
Repercussão amplia debate sobre articulação eleitoral
Nos bastidores políticos da Bahia, a reação dos prefeitos foi interpretada como um sinal de alerta sobre o peso crescente das lideranças municipais na construção das alianças para 2026.
Prefeitos seguem sendo considerados peças estratégicas nas articulações regionais, principalmente no interior baiano, onde a influência política local ainda exerce forte impacto sobre campanhas estaduais e federais.
A repercussão do episódio também reforça a importância da relação entre candidatos ao governo e administrações municipais, especialmente em um cenário marcado pela disputa por apoios institucionais e fortalecimento de bases eleitorais.
Nos próximos meses, a tendência é que o ambiente político estadual continue acompanhando os desdobramentos da crise envolvendo prefeitos da Bahia, sobretudo diante da antecipação das movimentações eleitorais no estado.

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