Debate em Salvador sobre cobrança no Aeroporto Internacional envolve Câmara Municipal, motoristas de aplicativo e gestão pública federal.
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| Bruno Reis nega interferência da Prefeitura na cobrança do Kiss & Fly no Aeroporto de Salvador • Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde |
Salvador — O prefeito Bruno Reis (União Brasil) negou nesta sexta-feira (15) qualquer interferência da Prefeitura de Salvador na polêmica envolvendo a implantação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional da capital baiana. A cobrança aplicada a motoristas que ultrapassarem o tempo limite para embarque e desembarque no terminal tem provocado forte repercussão política e administrativa na Bahia.
Durante o lançamento do programa IngreSSAr 2026, o chefe do Executivo municipal afirmou que a gestão não participou das tratativas relacionadas à medida e destacou que a área aeroportuária está sob concessão federal. Segundo o prefeito, o município não possui competência legal para regulamentar ou intervir diretamente na organização interna do terminal.
A discussão sobre o Kiss & Fly ganhou força após críticas de motoristas de aplicativo, passageiros e vereadores da capital. A iniciativa prevê cobrança de R$ 18 para veículos que excederem 10 minutos na área destinada ao embarque e desembarque do aeroporto administrado pela Vinci Airports.
Ao comentar o tema, Bruno Reis, prefeito de Salvador, ressaltou a autonomia da Câmara Municipal para discutir projetos relacionados ao assunto. O gestor afirmou que cabe aos vereadores deliberar sobre matérias consideradas relevantes para a cidade, sem interferência direta do Executivo.
O prefeito também direcionou a responsabilidade regulatória à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), reforçando que a fiscalização e eventual autorização para o funcionamento do sistema dependem do Governo Federal. Segundo ele, a Prefeitura não possui autonomia administrativa sobre áreas federais concedidas à iniciativa privada.
A repercussão política do caso aumentou após vereadores ampliarem a mobilização contra a cobrança. Os parlamentares Carlos Muniz, presidente da Câmara Municipal de Salvador, e Daniel Alves, ambos do PSDB, unificaram propostas legislativas para tentar barrar a medida no terminal aeroportuário.
A movimentação ocorre mesmo diante de tentativas da concessionária responsável pelo aeroporto de reduzir o avanço da discussão no Legislativo municipal. O projeto chegou a ser incluído na pauta de votação da Câmara, mas acabou não sendo apreciado devido à ausência de um dos parlamentares envolvidos.
O debate em torno do Kiss & Fly ultrapassou o campo administrativo e passou a representar um novo embate entre interesses econômicos, mobilidade urbana e fiscalização pública na capital baiana. Entidades ligadas a motoristas de aplicativo argumentam que o tempo disponibilizado é insuficiente para o fluxo operacional do aeroporto, o que pode gerar impacto financeiro direto para trabalhadores e consumidores.
Nos bastidores políticos, o tema também ganhou relevância por envolver competências entre município, União e órgãos reguladores federais. A expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas sessões da Câmara de Salvador, podendo ampliar a pressão institucional sobre a concessionária e sobre a ANAC.

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