Secretário da Bahia cobra apuração rigorosa após caso em Valéria e debate sobre segurança pública ganha repercussão no governo estadual.
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| Filipe Freitas defende investigação após morte em operação em Valéria • Foto: Devid Santana/BNews |
A morte de um jovem durante uma operação policial no bairro de Valéria, em Salvador, voltou a ampliar o debate sobre segurança pública e direitos humanos na Bahia. Nesta terça-feira (12), o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Filipe Freitas, defendeu o aprofundamento das investigações sobre casos envolvendo ações do Estado e reforçou a necessidade de preservar vidas durante o combate ao crime organizado.
As declarações ocorreram durante um encontro nacional sobre segurança pública realizado na Universidade Senai Cimatec, em Salvador, promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com participação da Polícia Civil, Tribunal de Justiça e Ministério Público da Bahia.
Segundo Filipe Freitas, o enfrentamento ao crime organizado precisa ocorrer de forma firme, mas sem comprometer a segurança das comunidades periféricas e dos trabalhadores afetados pelas operações policiais. O secretário destacou que o problema da criminalidade não está concentrado apenas nas periferias.
“O crime organizado é um problema que definitivamente não está apenas nas comunidades periféricas. Ele está em todo o Estado”, afirmou o titular da pasta estadual.
Durante o evento em Salvador, o secretário também criticou interpretações que associam direitos humanos à defesa de criminosos. Para Filipe Freitas, existe uma visão “deturpada” sobre o papel institucional dos direitos humanos dentro da sociedade e da própria administração pública.
De acordo com o secretário, os direitos humanos devem garantir igualdade perante a lei e proteção para toda a população, incluindo trabalhadores e agentes públicos envolvidos diretamente nas ações de segurança.
O debate ganhou força após episódios recentes envolvendo operações policiais em bairros periféricos da capital baiana, especialmente em regiões como Valéria, onde ações de combate ao crime têm gerado repercussão social e política. A discussão também mobiliza setores do governo estadual, órgãos do Judiciário e entidades ligadas à defesa da cidadania na Bahia.
Ao comentar os impactos dessas operações, Filipe Freitas afirmou que mortes e episódios de violência durante ações do Estado representam uma “tragédia séria”, sobretudo quando atingem trabalhadores ou profissionais da segurança pública.
O secretário ainda defendeu que o combate às facções criminosas ocorra com planejamento estratégico, redução de danos e menor impacto possível para moradores das comunidades. A avaliação é de que operações sem controle podem gerar consequências sociais e ampliar tensões nas periferias de Salvador e em outras cidades da Bahia.
A discussão sobre segurança pública, atuação policial e preservação de direitos fundamentais deve continuar no centro do debate político baiano nos próximos meses, especialmente diante da pressão por respostas mais efetivas do poder público no enfrentamento ao crime organizado.

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