A filiação do ex-ministro Joaquim Barbosa ao Democracia Cristã (DC) provoca crise interna na legenda e amplia disputa entre grupos políticos ligados a Aldo Rebelo e dirigentes partidários.
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| Joaquim Barbosa se filia ao DC e provoca crise interna no partido • Foto: Nelson Jr/SCO/STF |
São Paulo — A entrada do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa no partido Democracia Cristã (DC), em meio a articulações para uma possível candidatura presidencial, desencadeou um forte racha interno na sigla e intensificou disputas entre lideranças nacionais.
A movimentação envolvendo a filiação ao DC foi recebida com forte resistência por setores do partido, especialmente por aliados do ex-ministro Aldo Rebelo, que já se coloca como pré-candidato da legenda ao Palácio do Planalto.
O ex-deputado Cândido Vaccarezza, dirigente do diretório paulista e aliado de Rebelo, reagiu de forma contundente à filiação, classificando Joaquim Barbosa como “inapoiável” e afirmando que atuará para impedir sua candidatura dentro da legenda.
Vaccarezza criticou ainda a forma como a entrada do ex-ministro teria ocorrido no partido, alegando falta de transparência no processo interno e acusando a direção nacional de condução reservada da filiação.
“Ele começou o ‘lawfare’ no Brasil, não tem compromisso com a democracia, nem experiência política. Não podemos entregar o Brasil para um personagem como esse”, afirmou Vaccarezza, ao comentar o histórico de atuação de Barbosa no STF durante o julgamento do mensalão.
O dirigente também declarou que pretende mobilizar aliados em diferentes estados a partir da próxima semana para barrar a candidatura do ex-ministro dentro das instâncias partidárias.
“Vamos montar uma estratégia para impedir que Barbosa seja candidato. Quem decide é a convenção do partido, não é o presidente nacional”, afirmou.
No campo político interno, a crise expõe uma disputa por controle de narrativa e espaço eleitoral dentro do DC, que tenta se reposicionar nacionalmente com nomes de projeção pública. A entrada de Joaquim Barbosa altera esse equilíbrio e amplia tensões já existentes entre alas divergentes da sigla.
Como consequência institucional, a tendência é de aumento da judicialização de disputas internas e reorganização de alianças estaduais dentro do partido, especialmente em torno da construção de candidaturas para 2026.
Nos bastidores, lideranças avaliam que o episódio pode provocar novas debandadas e redesenhar o alinhamento político do DC nos próximos meses, a depender da manutenção ou não da pré-candidatura de Barbosa.

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