Durante agenda do governo federal na Fafen, em Camaçari, o presidente comentou denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, em declaração que repercutiu na administração pública e no cenário político nacional.
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| Lula comenta caso envolvendo Flávio Bolsonaro durante visita à Fafen em Camaçari • Foto: José Simões/Ag. A Tarde |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita oficial à cidade de Camaçari, na Bahia, comentou nesta quinta-feira (14) as denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Ao ser questionado por pessoas presentes no evento realizado na Fafen de Camaçari, Lula afirmou que o episódio “é caso de polícia”, declaração que rapidamente ganhou repercussão no cenário político nacional.
A fala aconteceu durante cerimônia ligada à retomada das operações da unidade da Petrobras em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O evento integrou ações do governo federal voltadas ao fortalecimento da indústria nacional de fertilizantes e da política de reindustrialização defendida pela atual gestão.
“Eu não vou comentar, isso é caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O meu caso é tratar do povo brasileiro e tratar da Petrobras”, declarou o presidente, arrancando aplausos do público presente no evento na Bahia.
A declaração ocorreu após reportagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil apontarem que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, teria intermediado cerca de R$ 134 milhões junto ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a publicação, os recursos seriam destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio ampliou a repercussão política em Brasília e também ganhou forte impacto regional devido à presença de Lula em Camaçari, município estratégico para a economia baiana e para os investimentos da Petrobras. A fala do presidente reforçou o ambiente de tensão entre governo federal e oposição em meio às discussões sobre transparência, financiamento privado e relações políticas envolvendo figuras nacionais.
Durante a agenda oficial, o presidente da República também destacou a retomada da Fafen de Camaçari, considerada uma das principais iniciativas industriais recentes da Petrobras na Bahia. A unidade voltou a operar em janeiro deste ano após permanecer hibernada desde 2019, durante o processo de desinvestimentos realizado pela estatal.
A reativação da fábrica faz parte da estratégia do governo federal para ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e reduzir a dependência de importações no setor. O investimento inicial anunciado para a retomada das operações chegou a R$ 100 milhões.
Atualmente, a planta opera com aproximadamente 90% de sua capacidade total e atende cerca de 5% da demanda nacional de fertilizantes. A unidade localizada em Camaçari, Bahia, possui capacidade para produzir diariamente 1.300 toneladas de ureia, 1.300 toneladas de amônia e 178 toneladas de ARLA 32, produto utilizado na redução de emissões de veículos movidos a diesel.
A visita presidencial também teve forte peso político para a Bahia, principalmente diante da importância econômica do Polo Industrial de Camaçari e da presença de lideranças estaduais, representantes da Petrobras e integrantes da administração pública federal. Nos bastidores políticos, a declaração de Lula sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro ampliou o debate sobre possíveis desdobramentos institucionais e jurídicos das denúncias reveladas nos últimos dias.

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