Mensagens, encontros privados e jantares internacionais são citados pela Polícia Federal em investigação sobre possíveis vínculos entre o ex-governador e o banqueiro.
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| PF investiga e indica relação entre Castro e banqueiro Vorcaro em apuração • Foto: Reprodução |
A Polícia Federal reuniu mensagens, registros de encontros e trocas de convites privados que, segundo investigadores, indicariam uma relação de proximidade entre o ex-governador Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O material integra uma investigação que apura suspeitas de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo aportes do fundo previdenciário estadual Rioprevidência em operações ligadas ao Banco Master.
As informações foram divulgadas pelo portal g1, com base em relatório da PF e dados obtidos nos celulares dos investigados.
Mensagens e diálogos sob análise da PF
A investigação descreve uma série de interações informais, com elogios pessoais, convites para eventos exclusivos e encontros fora da agenda institucional.
Em um dos registros, após publicação de um vídeo religioso, o banqueiro teria enviado a mensagem: “Canta demais. Arrebentou.”
O então governador respondeu: “Você é meu amigo. Não conta. Hahahaha”.
Segundo os investigadores, esse tipo de troca reforçaria a tese de vínculo pessoal frequente entre os dois.
Jantares em Nova York entram na investigação
A PF também cita encontros realizados em Nova York, incluindo jantares em restaurante de alto padrão financiados pelo banqueiro.
Em uma das conversas, Castro teria escrito: “Você não existe. Qual o nome do restaurante mesmo?”, em referência ao Nusr-Et Steakhouse.
Em outro episódio, após visita ao mesmo local, o ex-governador enviou mensagem afirmando: “Amigo, foi uma experiência incrível.”
O relatório aponta ainda uma transação de aproximadamente US$ 13 mil no mesmo período, associada a despesas do encontro.
Convites frequentes e linguagem informal
Mensagens analisadas mostram convites recorrentes para eventos sociais, como feijoadas, churrascos e encontros em residência privada.
Em um dos diálogos, Vorcaro teria escrito: “Fala, meu irmão. Vamos nos ver essa semana.”
Castro respondeu: “Fala, irmão. Manda o endereço que vou sim.”
A PF destaca o uso recorrente de termos como “irmão” e “amigo” entre os dois, interpretando como indicativo de proximidade além do ambiente institucional.
Eventos de alto custo e encontros internacionais
Outro ponto citado na investigação envolve uma degustação de uísque em Nova York, descrita como evento restrito com poucos participantes e custos superiores a US$ 1 milhão.
Segundo a PF, despesas teriam incluído bebidas, charutos e aluguel do espaço, todas custeadas pelo banqueiro.
Reuniões em residência oficial sem registro público
Os investigadores também afirmam ter identificado encontros no Palácio Laranjeiras que não constariam na agenda oficial do governo estadual.
Esse elemento é tratado pela PF como indicativo de possível ausência de transparência institucional.
Aportes bilionários sob investigação
O ponto central do inquérito envolve a relação entre encontros e decisões financeiras.
Segundo a PF, ao longo do período analisado, o Rioprevidência teria realizado aportes de aproximadamente R$ 3,7 bilhões em ativos ligados ao Banco Master.
Investigadores apontam possível correlação temporal entre encontros sociais e decisões de investimento.
O que dizem os investigadores?
No relatório, a PF afirma que o conjunto de mensagens e eventos sugere uma relação que extrapolaria o âmbito institucional.
Os investigadores destacam ainda que os elementos reunidos indicariam “laços de amizade” entre os envolvidos.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Cláudio Castro nega qualquer relação pessoal indevida com o banqueiro e afirma que os contatos ocorreram em contextos institucionais e sociais legítimos.
Também sustenta que os investimentos do Rioprevidência obedeceram critérios técnicos e legais.
Regras de conduta citadas na investigação
A PF menciona ainda normas administrativas que orientam agentes públicos a evitar situações que possam gerar conflito de interesses ou aparência de proximidade com fornecedores e contratantes do Estado.
O relatório não conclui violação direta, mas destaca os encontros privados como ponto de atenção.
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