Movimentações para a eleição paulista de 2026 ampliam negociações dentro da base governista e envolvem futuras posições na estrutura federal.

Márcio França durante agenda política em São Paulo enquanto negociações eleitorais para 2026 avançam na base governista.
O ex-ministro Márcio França tem demonstrado resistência à possibilidade de integrar como vice a eventual candidatura de Fernando Haddad • Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

SÃO PAULO — O ex-ministro Márcio França tem demonstrado resistência à possibilidade de integrar como vice a eventual candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo em 2026. A hipótese foi discutida em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas aliados de França afirmam que sua prioridade continua sendo a disputa por uma vaga no Senado Federal.

A posição do dirigente socialista reflete uma estratégia voltada para a construção de um mandato parlamentar a partir de 2027. Após a derrota na disputa ao Senado em 2022, França avalia que uma nova candidatura à Casa Legislativa representa o caminho mais seguro para manter protagonismo político no estado.

Prioridade eleitoral permanece no Senado

Nos bastidores, interlocutores afirmam que França considera até mesmo a possibilidade de concorrer de forma independente caso não haja acordo dentro da ampla coalizão que sustenta o governo federal.

A discussão ocorre em meio à formação antecipada das alianças para a sucessão estadual paulista. O PSB busca ampliar seu espaço político no maior colégio eleitoral do país, enquanto o PT trabalha para consolidar uma chapa competitiva capaz de enfrentar o atual governador Tarcísio Gomes de Freitas, que aparece como um dos principais nomes para a disputa.

Disputa interna por espaço na chapa

A corrida por uma vaga ao Senado dentro do campo governista envolve também as ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva.

Aliados de França defendem que ele deveria ter prioridade na composição eleitoral do PSB paulista, argumentando que possui trajetória consolidada no estado e capilaridade política construída ao longo de décadas de atuação.

Já a eventual participação de Tebet na chapa é vista por setores da base como uma candidatura consolidada, tornando a disputa interna ainda mais complexa para a definição das alianças.

Avaliação estratégica para enfrentar Tarcísio

Defensores da composição entre Haddad e França avaliam que a formação de uma chapa unificada poderia fortalecer a presença da base governista no interior paulista.

A avaliação considera, principalmente, a influência de França junto a prefeitos e lideranças municipais, além da possibilidade de agendas conjuntas com o vice-presidente Geraldo Alckmin em diversas regiões do estado.

Esse movimento é visto como uma tentativa de ampliar a competitividade do grupo político diante do favoritismo atribuído a Tarcísio em análises preliminares do cenário eleitoral.

Passagem pelo governo federal influencia negociações

França iniciou o terceiro mandato de Lula à frente do Ministério de Portos e Aeroportos. Posteriormente, foi transferido para o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte durante a reorganização ministerial promovida pelo Palácio do Planalto.

Neste ano, seu nome também foi cogitado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços após a eventual desincompatibilização de Alckmin para o processo eleitoral. A mudança, entretanto, não se concretizou.

A trajetória recente dentro da Esplanada dos Ministérios é considerada um dos elementos que influenciam as atuais negociações políticas e a discussão sobre o papel que França poderá desempenhar tanto na campanha presidencial quanto na disputa estadual de 2026.

Próximos movimentos da base governista

As definições sobre a composição da chapa governista em São Paulo tendem a ganhar intensidade nos próximos meses. A decisão de França poderá influenciar não apenas a estratégia do PT no estado, mas também a distribuição de espaços entre os partidos aliados na eleição nacional.

Com Brasília atuando como centro das articulações, lideranças da base acompanham as negociações como parte de um cenário mais amplo de construção das alianças para 2026, considerado fundamental para os planos eleitorais do governo e de seus aliados.

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