Decisão da Justiça do Trabalho anula processo eleitoral e aponta falhas na gestão, incluindo inconsistências na lista de votantes e questionamentos financeiros.

A Justiça do Trabalho determinou o afastamento da diretoria do Sindimed-BA após identificar irregularidades no processo eleitoral e na gestão da entidade, na Bahia. A decisão também anulou a eleição e exigiu nova organização sindical.
Justiça afasta diretoria do Sindimed-BA por irregularidades eleitorais e financeiras na Bahia • Foto: Reprodução 

A Justiça do Trabalho determinou o afastamento da diretoria do Sindimed-BA após identificar irregularidades no processo eleitoral e na gestão da entidade, na Bahia. A decisão também anulou a eleição e exigiu nova organização sindical.

A Justiça do Trabalho determinou o afastamento imediato da atual diretoria do Sindimed-BA, após sucessivas denúncias envolvendo irregularidades no processo eleitoral e na gestão financeira da entidade sindical na Bahia. A decisão foi proferida no domingo (26) e inclui a anulação completa do pleito.

O despacho judicial declarou inválida a formação da comissão eleitoral, além de anular todos os atos decorrentes desse processo. A lista de votantes, considerada irregular, apresentou inconsistências graves, incluindo a presença de pessoas não médicas, registros de profissionais já falecidos e a exclusão de mais de mil médicos aptos a participar da eleição.

De acordo com a decisão, cerca de 630 nomes compunham a relação utilizada no pleito, número considerado incompatível com a base real da categoria. A irregularidade na composição dessa lista foi um dos principais fundamentos para a invalidação do processo eleitoral.

Além das falhas eleitorais, a Justiça também validou a rejeição das contas da diretoria, ocorrida em assembleia realizada no dia 2 de março. Entre os pontos questionados está o pagamento de aproximadamente R$ 919 mil em salários a dirigentes, valor que não inclui outros benefícios como jetons, ajudas de custo e diárias.

Também foram apontadas denúncias de empréstimos realizados com recursos do sindicato em benefício de integrantes da gestão, sem a devida aprovação em assembleia, o que reforçou os questionamentos sobre a transparência administrativa.

Com a decisão, o Conselho Fiscal do sindicato deverá convocar, no prazo de até cinco dias, uma assembleia para formação de uma comissão provisória. Este grupo será responsável por conduzir a administração temporária da entidade e organizar novas eleições, garantindo a regularidade do processo.

O médico Tiago Almeida, representante do movimento Reconstruir o Sindimed e autor das denúncias, afirmou que a decisão reforça a necessidade de reestruturação da entidade. Segundo ele, o processo eleitoral estava comprometido e a atual diretoria não possuía condições jurídicas e políticas para permanecer na gestão.

O caso amplia o debate sobre governança e transparência em entidades sindicais na Bahia, podendo gerar repercussões no cenário político e institucional da categoria médica no estado.