Decisão do TJBA determinava suspensão imediata do certame, mas processo foi apenas adiado pela autarquia municipal de Salvador.
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| Licitação da Transalvador, que pode ultrapassar R$ 200 milhões, é mantida mesmo após decisão judicial na Bahia. | 📷 Bruno Concha/Secom PMS |
Uma licitação milionária da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), com potencial de ultrapassar R$ 200 milhões, gerou controvérsia após ser mantida mesmo diante de decisão judicial que determinava sua suspensão imediata. O caso levanta questionamentos sobre legalidade, transparência e respeito aos princípios administrativos no âmbito da gestão pública municipal.
A licitação da Transalvador, vinculada à modernização da plataforma tecnológica do trânsito de Salvador, tornou-se alvo de debate jurídico e político após decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinar sua suspensão imediata. Apesar disso, o certame foi mantido pela autarquia, com adiamento da sessão pública para o dia seguinte.
Inicialmente orçada em R$ 43,8 milhões, a concorrência eletrônica nº 001/2026 possui previsão contratual que pode elevar o montante para mais de R$ 219 milhões ao longo da execução. A decisão judicial foi proferida pela juíza substituta de 2º Grau, Zandra Anunciação Alvarez Parada, que apontou irregularidades no processo.
Segundo a magistrada, alterações realizadas no edital às vésperas da disputa comprometeram o prazo necessário para que empresas interessadas se adequassem às novas regras. A decisão enfatiza que a republicação do instrumento convocatório, somada a um feriado nacional e ponto facultativo, prejudicou princípios fundamentais da administração pública, como publicidade, isonomia e competitividade.
A juíza também destacou que a suspensão era necessária para evitar atos administrativos irreversíveis, garantindo a lisura do processo licitatório e a confiança dos participantes. Entre as mudanças questionadas estão a flexibilização das regras para consórcios, alterações na lógica de habilitação com inversão de fases e modificações nos critérios de envio e análise documental.
Mesmo diante da ordem judicial, a Transalvador optou por não interromper completamente o processo, apenas adiando a sessão para nova data. O posicionamento da autarquia foi reforçado pelo superintendente Diego Brito, que negou qualquer irregularidade.
Em declaração pública, o gestor afirmou que o valor total do contrato depende da demanda e não necessariamente atingirá o teto estimado. Ele também argumentou que a nova legislação de licitações permite o modelo adotado e garantiu que a determinação judicial será observada com a concessão de novo prazo.
“A licitação vai acontecer. Não houve modificação significativa”, declarou o superintendente, reforçando a posição institucional da autarquia.
O caso amplia o debate sobre transparência em contratos públicos e o cumprimento de decisões judiciais no âmbito da administração municipal, podendo gerar desdobramentos políticos relevantes no cenário da Bahia.
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