Postura do ex-ministro tensiona relação com Jerônimo Rodrigues, provoca reação interna no PT e amplia instabilidade no cenário eleitoral baiano.
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| Rui Costa | 📷 Credito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil |
A atuação recente de Rui Costa tem provocado forte desgaste dentro do PT baiano, com reflexos diretos na articulação política do governo Jerônimo Rodrigues e no ambiente pré-eleitoral.
O cenário político da Bahia atravessa um momento de elevada tensão institucional diante da postura adotada pelo ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Mesmo após deixar o cargo no governo federal, o petista tem protagonizado uma série de movimentações que evidenciam um comportamento ainda alinhado à disputa pelo governo da Bahia, embora sua pré-candidatura esteja direcionada ao Senado.
Nos bastidores, interlocutores apontam que Rui Costa não assimilou plenamente a decisão interna do partido que consolidou o nome do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), como candidato à reeleição. A situação tem gerado desconforto crescente dentro da base governista, especialmente diante das reiteradas críticas públicas direcionadas a adversários políticos, como o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).
A estratégia de enfrentamento direto adotada por Rui Costa, incluindo convites para debates e declarações incisivas, contrasta com a postura de ACM Neto, que, segundo analistas, tem optado por ignorar as provocações. Esse descompasso contribui para ampliar a percepção de isolamento político do ex-ministro.
Além do embate externo, o ambiente interno do PT também apresenta sinais de desgaste. A nomeação da ex-prefeita de Cotegipe, Márcia Sá Teles, para um cargo estratégico na Codevasf gerou forte reação entre dirigentes municipais do partido. O ponto central da crise reside no fato de que a indicada não apoiou o PT nas eleições anteriores, o que foi interpretado como uma decisão monocrática e desalinhada com os princípios partidários.
Essa movimentação reforça a avaliação de que Rui Costa estaria conduzindo sua pré-campanha de forma autônoma, sem integração plena com o núcleo político liderado por Jerônimo Rodrigues. A criação de um staff independente também evidencia essa estratégia, considerada por aliados como um indicativo de possível ruptura operacional dentro da base governista.
Outro elemento que intensifica o cenário de instabilidade é o avanço de convênios firmados pelo governo estadual em período sensível do calendário eleitoral. A assinatura de acordos com prefeituras, incluindo obras como a construção de equipamentos públicos em municípios do interior, tem sido interpretada como uma tentativa de fortalecimento político regional em meio à disputa.
Paralelamente, episódios administrativos também ampliam o desgaste institucional. A divulgação de gastos na ordem de R$ 6 milhões para estrutura de recepção ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval de Salvador gerou repercussão negativa, sobretudo pela utilização do mecanismo de “reconhecimento de débito”, frequentemente associado a despesas formalizadas após sua execução.
No âmbito legislativo, o governo enfrentou dificuldades na Assembleia Legislativa da Bahia, onde não conseguiu quórum mínimo para votação de matérias relevantes, como o projeto relacionado ao piso do magistério. A condução da sessão pela presidente da Casa, Ivana Bastos (PSD), evitou um constrangimento maior, mas evidenciou fragilidade na articulação política da base.
O conjunto desses fatores — tensão interna no PT, disputas públicas, decisões administrativas controversas e dificuldades legislativas — compõe um quadro de instabilidade política que pode impactar diretamente o desempenho eleitoral do grupo governista nas próximas eleições.
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