Movimentações internas da base governista, derrotas na Alba e auditoria do TCE ampliam tensão política no governo da Bahia e geram desgaste institucional.
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| Rui Costa amplia pressão política e expõe fragilidade de Jerônimo • Foto: Reprodução/TV Bahia |
Os bastidores da política baiana registram aumento da tensão entre aliados do governo estadual. Integrantes da própria base avaliam que o avanço político de Rui Costa tem ampliado o desgaste da liderança do governador Jerônimo Rodrigues na Bahia.
Os bastidores do grupo governista da Bahia atravessam um momento de forte desgaste político. Integrantes da própria base admitem incômodo crescente com a atuação do ex-governador e atual ministro Rui Costa, acusado internamente de ampliar sua interferência no cenário estadual e ocupar espaços que deveriam ser conduzidos pelo governador Jerônimo Rodrigues.
Aliados do Palácio de Ondina avaliam que o movimento passou a ganhar força após setores governistas descartarem qualquer possibilidade de substituição da candidatura de Jerônimo Rodrigues à reeleição em 2026. A leitura interna é de que o episódio teria provocado forte desconforto político em Rui Costa, que desde então intensificou sua presença nos debates e críticas envolvendo a administração estadual e municipal.
Dentro da base, interlocutores enxergam que a crescente exposição de Rui Costa tem produzido efeito direto no enfraquecimento político de Jerônimo Rodrigues, especialmente em um momento considerado estratégico para a consolidação da liderança do governador.
Outro ponto que ampliou o debate político foi a estratégia digital adotada recentemente pelo ex-governador. Após meses criticando os conteúdos publicados por ACM Neto, Rui Costa passou a utilizar formato semelhante nas redes sociais para atacar a gestão da Prefeitura de Salvador. Nos bastidores, aliados reconhecem que o desempenho das publicações ficou abaixo do esperado, inclusive com vídeos registrando baixa repercussão nas plataformas digitais.
Na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o governo estadual também enfrentou novo desgaste político. A oposição conseguiu derrubar, por falta de quórum, a sessão que votaria o 24º pedido de empréstimo do governo estadual, no valor de R$ 5,4 bilhões, operação que seria realizada por meio da Embasa.
Mesmo com maioria na Casa, o governo não conseguiu reunir o número mínimo de deputados exigidos pelo regimento interno. Parlamentares governistas, incluindo integrantes do PT, estiveram ausentes da sessão, ampliando a percepção de fragilidade da articulação política de Jerônimo Rodrigues dentro da própria base.
O episódio repetiu situação semelhante ocorrida em abril, quando outra sessão legislativa precisou ser encerrada por insuficiência de parlamentares presentes durante votação relacionada ao Piso Nacional do Magistério. O cenário passou a ser interpretado por adversários e aliados como sinal de dificuldade de mobilização política do Executivo estadual.
No campo administrativo, a recente auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) aumentou a pressão sobre o governo estadual. O relatório apontou irregularidades em convênios firmados entre o Estado e prefeituras em 2022, incluindo ausência de documentação obrigatória, falta de estudos de viabilidade técnica e problemas de transparência.
Auditores também identificaram utilização de licitações antigas em novos instrumentos de convênio e liberação de recursos mesmo diante de inconsistências em processos licitatórios. O parecer técnico opinou pela desaprovação das contas relacionadas aos convênios analisados.
O relatório reacendeu críticas da oposição na Alba, que já havia questionado, à época, a condução dos convênios estaduais e o possível uso político da distribuição de recursos públicos durante o período eleitoral.
Enquanto isso, disputas políticas envolvendo obras públicas e serviços de saúde continuam ampliando a polarização entre governo estadual e grupos ligados à oposição, especialmente em cidades da Região Metropolitana de Salvador e no interior da Bahia.

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