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MP-BA investiga Geddel por suposta propina de R$ 1 milhão ligada à fuga de líder do CV no sul da Bahia

Citações ao ex-ministro surgem em diálogos da Operação Duas Rosas, que apura esquema envolvendo ex-deputado e direção de presídio em Eunápolis.

O Ministério Público da Bahia apura a possível participação do ex-deputado Geddel Vieira Lima em um esquema de corrupção associado à fuga de um líder do Comando Vermelho no sul do estado. A investigação se baseia em diálogos extraídos de celulares apreendidos na Operação Duas Rosas.
MP-BA investiga Geddel por suposta propina ligada à fuga de líder do CV na Bahia • Foto: Dida Sampaio/Arquivo/Estadão

O Ministério Público da Bahia apura a possível participação do ex-deputado Geddel Vieira Lima em um esquema de corrupção associado à fuga de um líder do Comando Vermelho no sul do estado. A investigação se baseia em diálogos extraídos de celulares apreendidos na Operação Duas Rosas.

O Ministério Público da Bahia instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar a suposta participação do ex-deputado federal Geddel Vieira Lima em um esquema de corrupção vinculado à fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, facção ligada ao Comando Vermelho no sul da Bahia.

A investigação ganhou força após a deflagração da Operação Duas Rosas, que revelou diálogos entre o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. Nas conversas, Geddel é mencionado como “chefe”, em referência à suposta divisão de valores ilícitos.

De acordo com os promotores, o termo codificado “rosas” era utilizado para representar dinheiro. As mensagens indicam que parte de uma propina estimada em R$ 2 milhões — paga para viabilizar a fuga — teria sido destinada ao ex-ministro, totalizando cerca de R$ 1 milhão.

A delação premiada de Joneuma foi determinante para o avanço das investigações. Ela confessou participação direta na fuga de 16 detentos, ocorrida em 12 de dezembro de 2024, na unidade prisional de Eunápolis. Segundo seu relato, Uldurico Júnior exercia pressão constante para a liberação dos valores, alegando que precisava repassar parte ao “chefe”.

O esquema também envolveria concessão de regalias aos internos, incluindo acesso a eletrodomésticos, alimentação diferenciada, visitas íntimas e livre circulação dentro do presídio. O Ministério Público aponta que tais benefícios eram direcionados a integrantes da facção liderada por “Dadá”.

Outro elemento relevante da apuração é a entrega inicial de R$ 200 mil em espécie, transportados em uma caixa de sapatos, como adiantamento da propina. O valor teria sido parcialmente distribuído entre aliados de Uldurico, conforme registros bancários e comprovantes obtidos pela investigação.

Em nota ao jornal Estadão, Geddel negou qualquer envolvimento, afirmando que seu nome foi citado indevidamente em conversas entre terceiros. “Qualquer um pode ser vítima de uma conversa em que se usa o nome de terceiros”, declarou.

O histórico do ex-ministro volta ao centro do debate público. Em 2017, durante a Operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador atribuído a Geddel. Posteriormente, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Agora, quase uma década depois, o nome de Geddel ressurge em um novo inquérito que pode ter impactos relevantes no cenário político baiano, especialmente no que diz respeito ao combate ao crime organizado e à relação entre agentes públicos e facções criminosas.
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