Decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais ocorre após operação que apura possíveis irregularidades em contratos ligados ao transporte escolar.
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| Afastamento de prefeito em MG amplia impacto político de investigação sobre contratos • Foto: Reprodução/Redes Sociais |
TRÊS MARIAS (MG) – O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou o afastamento cautelar do prefeito de Três Marias, Danilo Rezende (Republicanos), em decisão divulgada nesta semana. A medida ocorre um dia após a deflagração da Operação Hipócrates, conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Polícia Civil e da Receita Estadual, que investiga possíveis irregularidades relacionadas à contratação de transporte escolar na zona rural do município.
Em seu primeiro mandato à frente da prefeitura, Danilo Rezende afirmou, por meio de publicação nas redes sociais, que recebeu a operação com tranquilidade, destacou respeito às instituições e disse confiar que os fatos serão esclarecidos dentro do devido processo legal. O caso tramita sob sigilo judicial.
Operação intensifica investigação sobre contratos públicos
A Operação Hipócrates foi deflagrada com o objetivo de reunir provas, aprofundar as investigações e interromper eventuais práticas consideradas ilícitas pelos órgãos de controle.
Durante a ação, foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo dependências da Prefeitura de Três Marias. Segundo o Ministério Público, documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais recolhidos serão submetidos a análises técnicas e periciais.
A operação mobilizou promotores de Justiça, delegados, policiais civis e auditores fiscais estaduais.
Vice-prefeito assume comando interino da administração
Com o afastamento cautelar de Danilo Rezende, o vice-prefeito José Augusto Mesquita (Avante) assumiu interinamente a chefia do Executivo municipal.
Mesquita, que também ocupa a Secretaria Municipal de Educação, área relacionada às investigações, declarou que não possui atribuições de fiscalização dos contratos de transporte escolar nem responsabilidade sobre processos licitatórios e contratação de empresas prestadoras de serviço.
Segundo ele, essas competências estariam vinculadas à Secretaria Municipal de Administração. O gestor afirmou ainda estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos durante a apuração.
Defesa sustenta inocência do prefeito afastado
Em nota oficial, a defesa de Danilo Rezende afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e, por essa razão, não pode divulgar detalhes da investigação.
O advogado Antônio Carlos Suppes Doorgal de Andrada declarou que o prefeito é inocente e que as investigações deverão comprovar a regularidade de sua atuação à frente do Executivo municipal. A defesa também manifestou expectativa de que o mandato seja restabelecido após a apresentação dos esclarecimentos ao Judiciário.
O próprio prefeito afirmou que não exerce a função de ordenador de despesas da Secretaria Municipal de Educação, setor apontado como foco das investigações relacionadas ao transporte escolar.
Carta de ex-procurador volta ao centro do debate
O caso também trouxe novamente atenção para uma carta aberta divulgada em janeiro deste ano pelo ex-procurador-geral do município, Bruno Rafael Souza Nascimento, após sua exoneração do cargo.
No documento, o ex-procurador relatou preocupações com supostas irregularidades administrativas envolvendo processos e contratos públicos. Ele recomendou cautela aos gestores municipais na assinatura de documentos e aditivos contratuais, citando possíveis situações que poderiam gerar questionamentos jurídicos futuros.
As declarações ganharam repercussão após o avanço das investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Repercussão institucional e possíveis desdobramentos
O afastamento cautelar representa um novo capítulo da investigação e amplia a atenção sobre a gestão municipal de Três Marias. A análise do material apreendido poderá subsidiar futuras decisões judiciais e eventuais medidas administrativas ou criminais.
No cenário institucional, o caso reforça a atuação dos órgãos de controle e fiscalização na apuração de contratos públicos, tema que tem mobilizado diferentes instâncias do Judiciário e do Ministério Público em diversas regiões do país.
Enquanto a investigação prossegue, a administração municipal permanece sob comando interino, aguardando novas deliberações da Justiça sobre o caso.

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