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Troyjo vê política como fator decisivo em impasse tarifário entre Brasil e EUA

São Paulo – O ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do Brics), Marcos Troyjo, afirmou que a solução para o impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos dependerá de pragmatismo econômico e diálogo político, em meio à investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano.

Marcos Troyjo participa de evento em São Paulo e comenta impasse tarifário entre Brasil e Estados Unidos.
Ex-presidente do Banco do Brics defende pragmatismo em negociação com os EUA • Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Relação bilateral preocupa especialistas

Durante evento realizado em São Paulo com autoridades e economistas, Troyjo avaliou que as relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um dos momentos mais delicados das últimas décadas.

Segundo ele, o distanciamento político entre os dois países tem dificultado o ambiente de diálogo necessário para a resolução de questões comerciais sensíveis.

"Não consigo lembrar de um momento em que as duas maiores democracias estivessem tão distantes", afirmou o economista ao comentar o atual cenário bilateral.

Investigação comercial segue em andamento

O debate ocorreu em meio à análise conduzida pelo governo dos Estados Unidos por meio da Seção 301, mecanismo que permite a aplicação de tarifas sobre produtos importados quando são identificadas práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

A investigação pode resultar em novas alíquotas sobre exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O governo dos EUA tem até o dia 15 de julho para definir os próximos passos do processo.

Antes de uma eventual decisão, a proposta ainda deverá passar por consultas públicas e audiências previstas pelas autoridades americanas.

Impacto econômico pode ser limitado

Os economistas presentes no encontro avaliaram que um eventual novo tarifaço tende a produzir efeitos mais moderados sobre a economia brasileira quando comparado a outros episódios de tensão comercial.

Ainda assim, os especialistas destacaram que a principal preocupação está relacionada aos possíveis efeitos indiretos sobre investimentos, comércio exterior e previsibilidade dos negócios entre os dois países.

Troyjo ressaltou que preservar o fluxo de investimentos deve ser uma prioridade durante as negociações.

Risco de escalada preocupa mercado

A economista-chefe para América Latina do J.P. Morgan, Cassiana Fernandes, alertou para a possibilidade de agravamento das tensões caso o Brasil adote medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.

Segundo ela, o principal risco para o ambiente econômico não está apenas nas tarifas em si, mas na ampliação do conflito comercial entre as duas economias.

A especialista defendeu a redução das fricções comerciais sem comprometer a entrada de investimentos estrangeiros no país, destacando que eventuais retaliações podem ampliar a incerteza para empresas e investidores.

Próximos passos

A expectativa agora está voltada para a decisão das autoridades americanas prevista para julho. Até lá, o governo brasileiro acompanha o andamento da investigação e mantém diálogo com representantes do setor produtivo e parceiros comerciais.

O desfecho do caso poderá influenciar diretamente o ambiente de negócios entre as duas maiores economias do continente e definir os rumos das relações comerciais bilaterais nos próximos meses.

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