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Prefeitura de Jequié destomba Mercado Municipal e gera tensão entre comerciantes e setor patrimonial

Medida administrativa abre caminho para mudanças estruturais e levanta debate sobre preservação histórica na cidade.

A decisão do prefeito Flávio Brandão de destombar o Mercado Municipal de Jequié reacendeu discussões sobre preservação do patrimônio público e impactos sociais para comerciantes tradicionais. A medida, associada a um plano anterior do ex-prefeito Zé Cocá, provoca insegurança entre trabalhadores e especialistas em memória urbana.
Prefeitura de Jequié destomba mercado municipal e gera debate sobre patrimônio e impacto social • Foto: Reprodução 

A decisão do prefeito Flávio Brandão de destombar o Mercado Municipal de Jequié reacendeu discussões sobre preservação do patrimônio público e impactos sociais para comerciantes tradicionais. A medida, associada a um plano anterior do ex-prefeito Zé Cocá, provoca insegurança entre trabalhadores e especialistas em memória urbana.

A decisão do prefeito Flávio Brandão de revogar o tombamento do Mercado Municipal de Jequié trouxe à tona um debate sensível no cenário da política local e da preservação do patrimônio histórico no interior baiano. O decreto, formalizado por meio de ato administrativo, autoriza intervenções estruturais no espaço público, considerado um dos principais marcos arquitetônicos da cidade.

A medida retoma diretrizes previamente estabelecidas pelo ex-prefeito Zé Cocá, que havia delineado propostas de requalificação urbana antes de deixar o cargo. No entanto, a ausência de ampla discussão pública e de mecanismos participativos tem gerado críticas por parte de setores da sociedade civil e dos próprios permissionários do mercado.

Entre os comerciantes, o clima é de incerteza. Muitos relatam temor quanto à possível perda de seus pontos comerciais, construídos ao longo de décadas. Um permissionário, presente no local desde 1973, descreveu o cenário como de instabilidade e frustração diante de promessas não cumpridas relacionadas à regularização de débitos e permanência no espaço. Segundo o relato, cobranças financeiras foram mantidas, inclusive referentes ao período da pandemia, contrariando expectativas geradas durante campanhas eleitorais.

Do ponto de vista urbanístico, o Mercado Municipal de Jequié possui relevância histórica. Construído na década de 1950 durante a gestão do ex-governador Lomanto Júnior, o edifício é um exemplo expressivo da arquitetura modernista. Características como o uso de concreto armado, coberturas elevadas, ventilação cruzada e linhas retas refletem um período de expansão e organização urbana no município.

Especialistas em patrimônio alertam que o destombamento elimina salvaguardas legais que protegiam a integridade do imóvel. Com isso, abre-se espaço para intervenções que podem descaracterizar ou até mesmo substituir completamente a estrutura original. A preocupação central gira em torno da possível perda de um símbolo da memória coletiva local.

No campo político, o episódio evidencia a necessidade de maior transparência e diálogo entre poder público e sociedade. A condução de projetos que envolvem bens históricos exige, além de respaldo técnico, a construção de consensos que considerem aspectos culturais, econômicos e sociais.

Até o momento, a administração municipal não detalhou publicamente quais serão as intervenções planejadas para o local, tampouco apresentou um cronograma oficial. Enquanto isso, o futuro do patrimônio histórico, dos comerciantes e da identidade cultural de Jequié permanece indefinido.
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