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Haddad chama de ilegal sigilo de Tarcísio sobre custo extra de R$ 3,7 bilhões no Metrô

Ex-ministro questiona falta de transparência em documentos ligados à Linha 6-Laranja e cobra explicações sobre aditivo bilionário pago pelo governo paulista para acelerar a entrega da obra.

Fernando Haddad comenta sigilo mantido pelo governo de São Paulo sobre documentos que justificam gasto adicional de R$ 3,7 bilhões na Linha 6-Laranja do Metrô.
Haddad questiona sigilo sobre aditivo bilionário do metrô paulista • Foto: Rebeca Ligabue/Metrópoles

O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta quinta-feira (11) a decisão da gestão do governador Tarcísio de Freitas de manter sob sigilo documentos relacionados ao pagamento adicional de R$ 3,7 bilhões para a conclusão antecipada da Linha 6-Laranja do Metrô. O tema ganhou repercussão após a divulgação de informações que apontam a existência de documentos não acessíveis ao público que justificariam o aditivo financeiro.

Durante agenda pública, Haddad afirmou considerar “ilegal” a manutenção de sigilo sobre informações vinculadas a um contrato financiado com recursos públicos. Segundo ele, a transparência deve prevalecer quando há impacto direto sobre os cofres do Estado e interesse da sociedade em compreender os motivos que levaram ao aumento dos custos da obra.

A controvérsia envolve a concessionária Linha Uni, responsável pela construção e operação da Linha 6-Laranja. Conforme informações divulgadas, o governo paulista autorizou um pagamento adicional de R$ 3,7 bilhões para garantir que o empreendimento seja entregue em 2026, prazo considerado antecipado diante de atrasos registrados durante a execução do projeto.

Justificativa técnica está sob sigilo

A explicação formal apresentada pela administração estadual menciona uma chamada “superveniência geotecnológica” nas proximidades da estação Higienópolis-Mackenzie. Segundo o governo, o problema teria provocado atrasos fora da responsabilidade da concessionária e alterado o cronograma originalmente previsto.

De acordo com a justificativa, a obra poderia ter sofrido atraso de até três anos em relação à programação inicial. Com isso, a entrega em 2026 representaria uma antecipação de dois anos em comparação ao cenário projetado após os problemas técnicos identificados durante a execução.

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Entretanto, os documentos que comprovariam a existência e os impactos dessa ocorrência permanecem restritos. A alegação apresentada para a manutenção do sigilo seria a limitação de pessoal responsável pela análise documental dentro da agência reguladora estadual.

Debate sobre transparência ganha força

A declaração de Haddad amplia o debate político sobre transparência administrativa e acesso à informação em contratos públicos de grande porte. O caso envolve um dos maiores projetos de infraestrutura em andamento no país e movimenta cifras bilionárias, o que aumenta a pressão por esclarecimentos detalhados sobre os critérios adotados pelo governo paulista.

Especialistas em gestão pública costumam apontar que contratos de concessão e seus respectivos aditivos exigem elevado grau de publicidade, especialmente quando resultam em aumento significativo de despesas para o poder público.

Nos bastidores políticos, a discussão também ocorre em um momento de pré-campanha eleitoral, o que tende a intensificar o confronto entre grupos ligados ao governo estadual e adversários que defendem maior divulgação dos documentos relacionados à negociação.

Vice de Haddad segue indefinido

Durante a mesma agenda, Haddad também comentou a formação de sua chapa para a disputa estadual. O petista afirmou que a definição do candidato a vice-governador deverá ocorrer em breve, mas depende de conversas entre lideranças nacionais do PT e do PSB.

Segundo o ex-ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de dirigentes socialistas, participam das articulações para buscar consenso em torno do nome que integrará a chapa.

Nos últimos dias, o nome do ex-governador Márcio França voltou a ganhar força entre aliados do PT. Entretanto, setores do PSB continuam defendendo alternativas diferentes, enquanto França mantém interesse na disputa por uma vaga ao Senado Federal.

Próximos desdobramentos

A expectativa agora é que a pressão por esclarecimentos sobre o contrato da Linha 6-Laranja aumente nos próximos dias. O tema pode gerar novos pedidos de acesso aos documentos e ampliar a cobrança por explicações oficiais sobre os critérios que levaram ao pagamento adicional de R$ 3,7 bilhões.

Paralelamente, as negociações para a composição da chapa de Haddad seguem em andamento e devem avançar após novas reuniões entre lideranças do PT e do PSB, fator considerado estratégico para a corrida eleitoral em São Paulo.

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