Disputa silenciosa por protagonismo entre senadores baianos ganha força durante aprovação de projeto que regula composição de chocolates e evidencia tensão pré-eleitoral.
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| Jaques Wagner e Ângelo Coronel disputam protagonismo na votação do cacau no Senado Federal | 📷 Reprodução |
A aprovação do projeto que estabelece o percentual mínimo de cacau em chocolates no Senado Federal expôs uma disputa política entre os senadores baianos Jaques Wagner e Ângelo Coronel, revelando um ambiente de “guerra fria” entre ex-aliados em meio ao cenário pré-eleitoral.
A votação do projeto que regulamenta o percentual mínimo de cacau em chocolates no Brasil, ocorrida na última quarta-feira (15) no Senado Federal, expôs de forma clara um cenário de tensão política entre os senadores baianos Jaques Wagner (PT) e Ângelo Coronel (Republicanos), que até recentemente integravam o mesmo campo de alianças políticas.
A proposta, identificada como PL 1.769/2019, teve como relator o senador Ângelo Coronel, que assumiu protagonismo na condução do texto em plenário. A relatoria, no entanto, também se tornou ponto de sensibilidade política, já que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, demonstrou publicamente incômodo por não ter sido designado para a função.
Durante a sessão, Wagner chegou a reconhecer o protagonismo do colega, mas deixou transparecer a disputa interna ao afirmar:
“Senador Coronel, quero dizer que até invejo a vossa excelência... tentei ser o relator dessa matéria...”
A resposta de Coronel, em tom conciliador, foi direta: “Vossa excelência é coautor”, indicando uma tentativa de suavizar a tensão política em plenário.
Apesar do tom institucional, o episódio evidenciou uma disputa por protagonismo político entre os dois senadores, especialmente em um contexto de pré-campanha eleitoral, no qual ambos devem disputar espaço de influência na política baiana.
Nos bastidores, a tramitação do projeto também foi marcada por movimentações estratégicas. Wagner chegou a assinar pedido de urgência para acelerar a votação, reforçando sua tentativa de participação ativa na pauta.
Segundo o senador petista, a medida tem impacto direto na cadeia produtiva do cacau, setor estratégico para a economia da Bahia, especialmente em um momento de forte oscilação de preços que afeta produtores rurais.
A proposta aprovada estabelece critérios mínimos para a composição de chocolates comercializados no país, definindo o percentual de cacau obrigatório nos produtos. A medida é defendida por produtores como forma de valorização da cadeia produtiva e melhoria da qualidade do produto final oferecido ao consumidor.
Além disso, o texto aprovado busca reforçar a transparência na rotulagem e coibir práticas comerciais que utilizam substitutos do cacau sem a devida identificação, ampliando a proteção ao consumidor e ao setor produtivo.
A disputa política não se limitou ao plenário. Nas redes sociais, tanto Ângelo Coronel quanto Jaques Wagner intensificaram a divulgação de conteúdos relacionados à votação. Coronel publicou vídeos destacando sua atuação como relator e sua proximidade com representantes da cadeia produtiva, incluindo integrantes da ANPC (Associação Nacional de Produtores de Cacau). Em um dos registros, aparece ao lado de João Roma (PL), seu aliado político.
Já Wagner adotou estratégia semelhante, com publicações em formato de cards e recortes da sessão, enfatizando seu papel como articulador político da base governista no Senado.
O episódio reforça a leitura de que a pauta do cacau, embora técnica e econômica, acabou se tornando também um instrumento de disputa simbólica por capital político entre lideranças baianas em Brasília.
O projeto segue agora para sanção presidencial.
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