Depoimento de ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis cita negociação de R$ 2 milhões e possível participação de lideranças políticas em articulação investigada pelo MP-BA.
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| Delação aponta Geddel em caso de fuga de presos na Bahia|📷 Valter Campanato/EBC |
Uma delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia, cita o ex-ministro Geddel Vieira Lima como possível beneficiário indireto de valores ligados a um suposto esquema envolvendo a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024. As informações integram investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e incluem diálogos, mensagens e alegações sobre repasses financeiros.
A investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) ganhou novos desdobramentos após a divulgação de detalhes de uma delação premiada envolvendo a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. O depoimento aponta a existência de um suposto esquema relacionado à fuga de 16 detentos ocorrida em dezembro de 2024, com possível envolvimento de figuras políticas e intermediários.
Segundo os autos e informações obtidas em investigação, o ex-ministro e uma das principais lideranças do MDB na Bahia, Geddel Vieira Lima, teria sido citado como possível beneficiário de parte de valores que somariam R$ 2 milhões, supostamente pagos por uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
De acordo com o conteúdo da delação, haveria um suposto acordo entre o ex-deputado federal Uldurico Júnior e o entorno político citado no processo para divisão do valor, sendo R$ 1 milhão destinado a Geddel Vieira Lima. O outro montante teria sido direcionado a outros intermediários envolvidos na negociação.
O MP-BA destacou, em manifestação oficial, que o aprofundamento das investigações se faz necessário diante dos elementos apresentados, incluindo mensagens e registros que indicariam a existência de tratativas sobre repasses indevidos.
No depoimento, Geddel aparece identificado em conversas de aplicativo como “chefe”, sendo citado em contextos de orientação e aconselhamento político entre os investigados. Em mensagens analisadas, o ex-ministro teria atuado, segundo a delação, como uma espécie de intermediador informal em conflitos envolvendo decisões administrativas e estratégias de defesa após a fuga dos presos.
Em 18 de dezembro de 2024, um dia após o afastamento da ex-diretora por decisão judicial, mensagens atribuídas a Uldurico Júnior indicam que Geddel teria orientado discrição no caso, utilizando o termo “mergulhar”, conforme relatado no depoimento.
As investigações também apontam que, durante o período de instabilidade após a fuga, houve discussões internas sobre possíveis estratégias jurídicas, incluindo a indicação de advogados e articulações políticas para conter desdobramentos judiciais.
Outro ponto destacado no material investigativo envolve mensagens de 21 de dezembro de 2024, nas quais Uldurico teria tentado direcionar a responsabilidade da fuga ao então superintendente da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), Luciano Teixeira, enviando inclusive links de matérias jornalísticas e documentos para reforçar a narrativa.
Em resposta a essas movimentações, Geddel teria enviado um áudio em tom crítico, contestando a estratégia adotada e afirmando que apresentaria “falhas” atribuídas à gestão da unidade prisional, segundo transcrição anexada ao processo.
O depoimento também relata que, em janeiro de 2025, Uldurico demonstrou preocupação com possíveis represálias políticas e jurídicas, afirmando em mensagens que poderia ser alvo de ações internas dentro do partido, caso os valores não fossem quitados.
As investigações ainda mencionam outros nomes ligados ao caso, incluindo intermediários políticos e supostos articuladores locais, como um ex-candidato a vereador de Eunápolis, identificado como Cley da Autoescola (PSD), apontado pelo MP-BA como figura com conexões com familiares de integrantes da facção investigada.
Até o momento, não há decisão judicial definitiva que confirme as acusações descritas na delação, e os investigados citados não tiveram condenação relacionada aos fatos narrados. O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.
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