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Haddad critica privatização da Sabesp e Tarcísio defende resultados da concessão

Durante evento em São Paulo, os pré-candidatos ao governo paulista trocaram críticas e argumentos sobre a privatização da Sabesp e os rumos da infraestrutura no estado.

Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas durante evento debatendo a privatização da Sabesp em São Paulo.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), durante evento da Veja • Foto: Reprodução/YouTube

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, protagonizaram nesta segunda-feira (15) um embate público sobre a privatização da Sabesp durante evento promovido pela revista Veja, na capital paulista. O tema dominou parte do debate e evidenciou diferenças entre os dois possíveis adversários na disputa estadual de 2026.

Críticas ao modelo de privatização

Ao responder questionamentos sobre concessões e privatizações, Haddad afirmou que a venda da Sabesp ocorreu com critérios que, segundo ele, careceram de transparência.

O petista argumentou que o processo teria reduzido a concorrência entre investidores interessados na companhia e afirmou que a operação representou uma perda financeira para o estado. Segundo Haddad, mudanças realizadas durante a privatização teriam restringido a participação de potenciais compradores.

Durante sua fala, ele declarou que a empresa acabou sendo negociada para um grupo restrito de interessados e criticou a condução da operação, classificando o processo como pouco transparente.

Defesa da concessão e foco nos resultados

Pouco antes da manifestação de Haddad, Tarcísio de Freitas havia defendido a privatização da companhia de saneamento.

Segundo o governador, a medida foi necessária para ampliar a capacidade de investimento da empresa, acelerar a universalização dos serviços de saneamento básico e antecipar metas previstas no Marco Legal do Saneamento.

Tarcísio afirmou que os resultados já podem ser observados em municípios da Grande São Paulo. Como exemplo, citou Guarulhos, que, segundo dados apresentados pelo governador, ampliou significativamente os índices de tratamento de esgoto nos últimos anos.

Para o chefe do Executivo paulista, a discussão sobre privatizações deve ser conduzida com base em resultados concretos e não em posicionamentos ideológicos.

Debate sobre concessões e infraestrutura

Durante sua participação no evento, Haddad também rebateu críticas frequentemente direcionadas aos governos petistas em relação às concessões de infraestrutura.

O ex-ministro da Fazenda afirmou que a atual gestão federal realizou mais concessões rodoviárias do que o governo anterior e argumentou que o debate deve ser baseado em dados e resultados econômicos.

Segundo ele, diversas concessões realizadas na administração passada precisaram passar por revisões posteriores devido a problemas contratuais e adequações exigidas por órgãos de controle.

Possível revisão de contratos

Questionado sobre a possibilidade de reestatizar a Sabesp em um eventual governo estadual, Haddad afirmou que qualquer decisão dependeria de análise jurídica detalhada.

Ele ressaltou que contratos de privatização costumam conter cláusulas complexas que podem dificultar revisões futuras. Ainda assim, afirmou que pretende analisar os efeitos da concessão e verificar se promessas relacionadas à redução das tarifas foram efetivamente cumpridas.

O petista também declarou que pretende revisar outros contratos firmados pela atual gestão paulista, incluindo projetos ligados à segurança pública e ao transporte sobre trilhos.

Críticas ao governo federal e cenário político

Durante entrevista concedida após sua participação no fórum, Tarcísio ampliou as críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governador afirmou que o Brasil estaria perdendo oportunidades estratégicas em setores considerados fundamentais para o crescimento econômico, como transição energética, biocombustíveis, segurança alimentar e economia do conhecimento.

Sem detalhar medidas específicas, ele argumentou que o país enfrenta dificuldades para avançar em agendas estruturantes e aproveitar vantagens competitivas existentes.

Evento reuniu pré-candidatos de diferentes estados

Além de Haddad e Tarcísio, o evento contou com a participação do senador Sergio Moro, pré-candidato ao governo do Paraná, e dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

O encontro serviu como espaço para que lideranças políticas apresentassem propostas, avaliações de governo e posicionamentos sobre temas econômicos, administrativos e institucionais.

O que está em jogo na disputa paulista

A privatização da Sabesp tende a permanecer como um dos principais temas do debate eleitoral em São Paulo nos próximos meses.

Enquanto Tarcísio aposta nos resultados da concessão como vitrine de sua gestão, Haddad busca transformar o processo em um dos principais pontos de crítica ao governo estadual.

O tema envolve questões relacionadas à gestão dos serviços públicos, investimentos em saneamento, tarifas e participação da iniciativa privada na administração de setores considerados estratégicos.

Conclusão

O confronto entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas evidenciou a diferença de visão dos dois grupos políticos sobre a privatização da Sabesp. Enquanto o governador defende que a concessão já apresenta resultados positivos para a população, o petista questiona a transparência do processo e promete reavaliar contratos caso seja eleito. O assunto deve permanecer no centro das discussões da disputa pelo governo paulista em 2026.

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