Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (10) a proposta de tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e contestou a justificativa relacionada ao desmatamento, elevando o tom da resposta do governo brasileiro ao caso.
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| Lula critica proposta de tarifa dos EUA e rebate acusações ambientais • Foto: Ricardo Stuckert/PR |
Declaração durante reunião do Conselhão
As declarações foram feitas durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão. No evento, Lula afirmou que o Brasil não deve aceitar a medida sem contestação e defendeu uma reação baseada na dignidade e no respeito às relações comerciais entre os dois países.
Ao comentar o argumento ambiental utilizado por autoridades americanas, o presidente fez uma crítica direta aos Estados Unidos e questionou a legitimidade das cobranças relacionadas ao desmatamento brasileiro.
Críticas à justificativa ambiental
Durante o discurso, Lula rebateu a alegação de que o aumento do desmatamento ilegal justificaria novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros.
O presidente afirmou que os americanos não perceberiam que já estariam "carecas" em relação às suas áreas florestais, enquanto o Brasil ainda preservaria grande parte de sua cobertura vegetal. A declaração ocorreu ao comentar a possibilidade de punições comerciais associadas à pauta ambiental.
Governo destaca redução do desmatamento
Mais cedo, o vice-presidente Geraldo Alckmin também abordou o tema durante a reunião. Segundo ele, os números recentes demonstram que o país conseguiu ampliar as exportações do agronegócio ao mesmo tempo em que registrou queda nos índices de desmatamento.
De acordo com dados do sistema Deter apresentados pelo governo, a Amazônia registrou redução de 35% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.
Alckmin afirmou que os resultados mostram que crescimento econômico e preservação ambiental podem avançar de forma simultânea.
Investigação comercial dos Estados Unidos
A proposta de novas tarifas surgiu após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O relatório divulgado recentemente apontou práticas consideradas prejudiciais ao comércio bilateral.
A apuração foi realizada com base na chamada Seção 301, mecanismo da legislação americana que permite a investigação e eventual aplicação de medidas contra países acusados de adotar práticas comerciais consideradas injustas.
Outros pontos citados pelos americanos
Além das questões ambientais, o relatório também menciona outros temas que, segundo o órgão americano, afetariam as relações comerciais entre os dois países.
Entre eles estão o funcionamento do Pix, questões ligadas ao mercado de etanol e problemas relacionados à pirataria. Os pontos foram incluídos no documento que embasa a recomendação de novas tarifas sobre determinados produtos brasileiros.
Próximos passos das negociações
Caso a recomendação seja efetivamente adotada pelas autoridades americanas, a tarifa de 25% poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.
O parecer, contudo, exclui alguns itens considerados estratégicos para o mercado dos Estados Unidos, incluindo café, minérios e commodities energéticas.
Enquanto isso, integrantes do governo brasileiro devem participar de uma reunião virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, prevista para sexta-feira (12). O encontro deverá discutir alternativas para evitar o agravamento das tensões comerciais entre os dois países.
Situação atual
O episódio amplia a tensão diplomática e comercial entre Brasília e Washington em um momento de forte debate sobre comércio internacional, sustentabilidade e competitividade econômica.
As negociações continuam em andamento, e os próximos encontros entre representantes dos dois governos poderão definir os rumos da disputa tarifária nas próximas semanas.

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