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Aladilce pede audiência pública e trava votação de subsídio ao transporte em Salvador

Salvador – A tramitação do projeto que autoriza a Prefeitura de Salvador a destinar R$ 80 milhões em subsídios ao sistema de transporte coletivo ganhou um novo capítulo na Câmara Municipal. Durante reunião conjunta das comissões temáticas realizada nesta quarta-feira (10), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pediu vistas da proposta encaminhada pelo Executivo em regime de urgência.

Vereadora Aladilce Souza participa de debate sobre subsídio ao transporte coletivo em Salvador durante reunião na Câmara Municipal.
Câmara adia análise de projeto que autoriza R$ 80 milhões para transporte coletivo • Foto: Lika Estrêla

Pedido de vistas adia discussão sobre novo subsídio ao transporte coletivo

A medida suspende temporariamente a análise do texto e abre espaço para um debate mais aprofundado sobre os impactos da iniciativa. A parlamentar também defendeu a realização de uma audiência pública para discutir o tema com representantes da sociedade civil, órgãos reguladores e gestores públicos.

Audiência pública entra no centro das discussões

Segundo Aladilce, a proposta precisa ser debatida de forma ampla antes de seguir para votação em plenário. A vereadora argumentou que o tema envolve recursos públicos significativos e afeta diretamente milhares de usuários do transporte coletivo da capital baiana.

A parlamentar criticou declarações atribuídas ao prefeito de Salvador de que a tarifa poderá passar dos atuais R$ 5,90 para R$ 6,40 caso o subsídio não seja aprovado pela Câmara.

Durante a reunião, ela classificou o possível reajuste como excessivo e defendeu maior transparência na discussão sobre o financiamento do sistema.

A sugestão de audiência pública foi aceita pelos integrantes das comissões. Além de representantes municipais e da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Salvador (Arsal), o encontro deverá contar com gestores estaduais, considerando a integração entre ônibus e metrô na mobilidade urbana da capital.

A expectativa é que a audiência ocorra na próxima segunda-feira (15).

Distribuição dos recursos gera questionamentos

De acordo com a mensagem encaminhada pelo Executivo à Câmara, o montante solicitado será dividido entre os diferentes segmentos do sistema de transporte.

A proposta prevê:

  • R$ 75 milhões para o sistema convencional de ônibus;
  • R$ 5 milhões para o subsistema de transporte especial complementar.

Durante a discussão, Aladilce questionou a ausência de contrapartidas explícitas para as empresas operadoras do serviço.

A vereadora argumentou que, apesar dos repasses realizados nos últimos anos, usuários continuam relatando problemas relacionados à qualidade do transporte, incluindo atrasos, dificuldades de integração, redução de linhas e falhas operacionais.

Debate amplia repercussão política

A discussão sobre novos subsídios ao transporte coletivo ocorre em um momento de forte pressão sobre os custos da mobilidade urbana em diversas capitais brasileiras.

O tema também ganhou dimensão política devido ao impacto direto no orçamento municipal e na vida dos passageiros. Parlamentares da oposição defendem que a concessão de novos recursos públicos deve ser acompanhada por mecanismos de fiscalização e metas de melhoria do serviço.

Já o Executivo sustenta que o apoio financeiro é necessário para garantir a manutenção da operação e evitar reajustes tarifários ainda maiores.

Relação entre transporte e orçamento municipal

Outro ponto levantado durante o debate foi a destinação dos recursos públicos diante de outras demandas da administração municipal.

Aladilce afirmou que a Câmara precisa avaliar os efeitos da medida sobre áreas consideradas prioritárias pela população, como saúde e educação.

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A discussão amplia o debate sobre o equilíbrio das contas públicas e sobre a estratégia adotada pelos municípios brasileiros para financiar sistemas de transporte urbano que enfrentam queda de passageiros e aumento dos custos operacionais.

Próximos passos na Câmara

Após a realização da audiência pública, a previsão é que o projeto retorne à pauta para votação na sessão da próxima quarta-feira (17), juntamente com outras matérias encaminhadas pelo Executivo.

A decisão poderá influenciar diretamente a política tarifária do transporte coletivo em Salvador e deverá continuar mobilizando vereadores, operadores do sistema e usuários nos próximos dias.

Além dos impactos locais, o caso é acompanhado por especialistas em mobilidade urbana por refletir um desafio enfrentado por grandes centros urbanos em todo o país, incluindo debates que avançam em Brasília sobre modelos de financiamento do transporte público.

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