Presidente reconhece falhas estratégicas da esquerda, afirma que setor “se tornou o sistema” e defende retomada de compromissos sociais.
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| Lula faz autocrítica da esquerda em evento global! 📷 Reprodução/Cláudio Kbene/PR |
Durante encontro internacional em Barcelona, o presidente brasileiro fez uma análise crítica sobre a atuação da esquerda global, destacando erros políticos e propondo mudanças estruturais para reconectar com a população.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um dos discursos mais contundentes de seu atual mandato ao participar, neste sábado (18), da Global Progressive Mobilisation, realizada em Barcelona. O encontro reuniu lideranças progressistas de diversos países com o objetivo de debater estratégias para conter o avanço da extrema direita e fortalecer a democracia global.
Durante sua fala, o presidente fez uma autocrítica da esquerda, reconhecendo falhas na condução política ao longo dos últimos anos. Segundo ele, setores progressistas passaram a operar dentro da lógica que antes criticavam. “Nós temos sido os gerentes da mazela do neoliberalismo. Nós nos tornamos o sistema”, afirmou. A declaração aponta para uma análise estratégica sobre o distanciamento entre governos de esquerda e suas bases sociais.
O chefe do Executivo também destacou que esse cenário abriu espaço para o crescimento de forças conservadoras. Para ele, a extrema direita conseguiu capitalizar o descontentamento popular diante das promessas não cumpridas por modelos neoliberais, apresentando-se como alternativa “antissistema”.
Ainda no discurso, Lula criticou a perda de identidade programática de governos progressistas. Segundo ele, ao vencer eleições, muitos deixaram de implementar agendas originais, o que contribuiu para a frustração popular. Como resposta, defendeu maior coerência política e compromisso com propostas eleitorais.
O presidente também detalhou demandas sociais que, em sua avaliação, representam consenso entre a população, independentemente de alinhamento ideológico. Entre elas, destacou o acesso a alimentação de qualidade, moradia digna, educação pública eficiente, saúde de qualidade e políticas ambientais responsáveis. “A população quer um mundo limpo, saudável e um trabalho digno com remuneração justa”, declarou.
No campo geopolítico, Lula ampliou o debate ao criticar conflitos internacionais e gastos militares. Segundo ele, há uma distorção de prioridades globais, com recursos sendo direcionados para guerras em vez de soluções estruturais para problemas como fome, energia e saúde. “Os senhores da guerra gastam bilhões em armas que poderiam resolver questões fundamentais da humanidade”, pontuou.
Ao final, o presidente enfatizou a necessidade de uma articulação global entre forças progressistas, defendendo que desafios contemporâneos exigem respostas coordenadas internacionalmente. “Essa luta precisa ser global. De nada adianta manter a casa em ordem em um mundo em desordem”, concluiu.
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